RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

     
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MARIZ FARIA. (António) PEREGRINO CURIOSO DA Vida, Morte, Trasladação, & Milagres DO GLORIOSISSIMO SENHOR S. JOÃO MARCOS

DA Vida, Morte, Trasladação, & Milagres DO GLORIOSISSIMO SENHOR S. JOÃO MARCOS, Na Augusta Cidade de Braga, que retrata em hum Dialogo, E DEDICA AO ILLUSTRISSIMO SENHOR D. RODRIGO DE MOURA TELLES Arcebispo, & Senhor de Braga, Primaz das Hespanhas, do Conselho de Estado de Sua Magestade, &c. O PADRE ANTONIO DE MARIZ FARIA Mestre na Sagrada Theologia, & das cerimónias do mesmo Senhor. LISBOA OCCIDENTAL, Na Officina de ANTONIO PEDROZO GALRAM. Com todas as licenças necessarias. Anno de 1721.

In 4º de 20x15 cm. Com [12], 243, [1] págs. Encadernação da época em pergaminho flexível com o título manuscrito na lombada, com um dos atilhos e vestígios dos restantes. 

Impressão muito nítida sobre papel de linho ornamentada com dois belos cabeções com motivos zoológicos e vegetalistas, com cabeções constituídos por pequenos ornamentos tipográficos e com um belo florão de remate na página 187. 

Exemplar com assinatura de posse do P.e Manuel J. Telles, na folha anterior de guarda e na folha de rosto, vestígios de humidade, antigos e desvanecidos, mais visíveis nos primeiros e nos últimos fólios.

As folhas preliminares contêm a dedicatória ao Arcebispo de Braga, prólogo a quem ler, uma poesia em latim de Maunel Simões, em louvor do autor, licenças datadas de 2 de Março de 1719 a 27 de Fevereiro de 1721, com censura do Dr. Diogo Borges Pacheco, declaração de conformidade com o original de Fr. António do Sacramento e autorização final de D. João, Arcebispo de Lisboa. A folha final contém a protestação do autor em que ele declara conformar-se com todas as regras da Igreja sobre o culto dos santos. 

Obra importante para a história de Braga, para a história do culto dos santos e para a história das formas de vivência da religiosidade durante o século XVIII, em Portugal.  

Livro que narra a biografia de São João Marcos, um dos seguidores de Cristo e evangelizador, que era proprietário da casa onde Cristo celebrou a Última Ceia e onde ocorreu o Pentecostes.  Mas a ocasião para a sua publicação foi a sumptuosa cerimónia de trasladação das relíquias do Santo ordenada pelo Arcebispo de Braga, para um novo túmulo na Igreja da misericórdia da cidade de Braga, que é uma magnífica obra de arte, que ainda hoje se pode admirar.

O autor, depois de narrar a vida do santo, descreve pormenorizadamente a abertura do primeiro túmulo pelo Arcebispo de Braga, D, Rodrigo de Moura Teles, que juntamente com outras pessoas examinou o seu conteúdo, a colocação das relíquias num luxuoso relicário e as cerimónias da trasladação do corpo do mártir, que foram um paradigma das festividades religiosas da época barroca. A partir da página 188 e até ao fim, relata muitos milagres ocorridos por intercessão do Santo, «Em ordem à saúde dos corpos e das almas», além dos que já tinha relatado nas páginas anteriores.              

A investigadora Manuela Machado afirma: «A acção de favorecimento levada a cabo pelo arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, que durante o seu governo na diocese, dedicou grande atenção e devoção às obras do hospital e ao seu patrono, S. João Marcos, aliadas ao empenho da Santa Casa em enaltecer e fazer crescer o culto do mesmo, constituíram os grandes motores impulsionadores do fenómeno devocional em torno do Santo, que iria crescer ao longo do século XVIII.

Por esta altura, foi ainda publicado um livro acerca de S. João Marcos, dedicado ao Arcebispo Primaz, no qual o autor devota um capítulo aos milagres feitos pelo Mártir, obra que sem dúvida terá contribuído para proliferar a sua reputação. Um deles, segundo relata, ocorreu a 7 de maio de 1718, semanas depois da trasladação das suas relíquias, e conta que, Faustino da Cunha, estudante da rua de Paimanta, na cidade de Braga, sofrendo de um inchaço no pulso, que lhe provocava muitas dores, que o impediam de escrever. “Com grande devoção” untou a mão com azeite de uma lâmpada, colocando-a no túmulo do Santo. Na manhã seguinte, verificou que o inchaço havia desaparecido (Faria, 1721, p.190).

Os milagres dos santos foram, aliás, uma das tónicas dominantes da acção contrarreformista católica (Muir, 2001, p. 261). Após a trasladação das relíquias de S. João Marcos, colocadas no retábulo do altar-mor da igreja do hospital, efeméride que passaria desde então a ser celebrada, anualmente, no dia 27 de abril, verificou-se uma crescente preocupação por parte da irmandade da Misericórdia em organizar e desenvolver mecanismos de administração dos assuntos relacionados com o Santo, bem como em cuidar para que a devoção em torno do mesmo aumentasse».

Manuela Machado, in Festividades e devoções na Misericórdia de Braga em torno do culto a S. João Marcos (século XVIII).

António Mariz de Faria (Vila do Conde 1681 - 1741?) mestre em teologia, presbítero secular da Congregação do Oratório do Porto, entre 1697 e 1709, foi depois Reitor do Couto da Pulha, no Arcebispado de Braga, Mestre de Cerimónias e Capelão do Arcebispo de Braga. Além desta obra escreveu: Novena em obséquio do glorioso S. João Marcos, Coimbra, 1720, com 2ª edição em Lisboa, 1721 e Epopeya Ascética, poema em oitavas castelhanas descrevendo a viagem de Braga a Guimarães de Soror Luzia da Conceição, do convento da Madre de Deus, em Lisboa que ia fundar o convento de Capuchas em Guimarães, manuscrito de 1716.       

Azevedo e Samodães I, 1980. 

Inocêncio, I, 204. 

Barbosa Machado I, 321. 

Referência: 1711JC062
Local: M-9-F-58


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