RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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VICENTE JORGE. (José) NOTAS SÔBRE A ARTE CHINESA.

Tip. Mercantil de N. T. Fernandes & Filhos. Macau. 1940.

Livro oblongo de 19,5x27 cm. Com 146, [ccxxiv] págs. Cartonagem ilustrada do editor. Profusamente ilustrado no texto com gravuras, e em extratexto com 524 fotografias e reproduções de obras de arte chinesa, contendo inéditos da colecção do Dr. Pedro Barreiros, impressas em papel couché.

Exemplar com pequeno dano no pé da lombada.

A obra insere-se na promoção das manifestações e produções artísticas coloniais da Exposição do Mundo Português de 1940. Fornece toda a descrição cronologica da arte chinesa e das suas principais produções em cada disnastia. O trabalho do autor tem o proposito de servir de guia ao coleccionador de arte chinesa através da descrição das marcas dos fabricantes, nomeadamente da dinastia Ming e Tsing; das marcas de sala e marcas de sala do palácio; marcas para exprimir bons desejos e felicitações; os simbolos chineses e sua interpretação; as preciosidades e os emblemas budistas; descrição dos objectos de bronze, de vidro, de jade, de pintura, e ainda: caligrafia, esmalte, gravuras, talha, laca, tecidos, brocados e bordados, etc. No final da obra reproduzem-se em fotografia uma parte da colecção de 10.000 objectos que o autor reuniu durante 50 anos.

Estudo de vulgarização histórica e artística de grande interesse para coleccionadores e antiquários, precedido de uma pequena notícia biográfica sobre a figura do seu autor, com algumas fotografias e outros documentos ilustrativos da sua vida em Macau e em Pequim, bem como da sua obra. Consagrada ao arrolamento e descrição circunstanciada dos principais ramos da arte chinesa - cerâmica, bronze, jade, pintura, caligrafia, escultura, gravura, esmalte, laca, bordado e mobília - das suas origens, características e principais fabricantes, distinguindo épocas de produção de maior e menor esplendor.

As notas sobre cerâmica - monocromos e policromos - que ocupam a maior parte da obra, são valorizadas por incluírem recolhas dos principais motivos decorativos, marcas (de data, de sala, do fabricante ou fábrica, exprimindo bons desejos, louvores, entre outros) e símbolos em uso nas porcelanas. Reproduz em anexo uma selecção anotada de peças escolhidas de entre as 10.000 que o autor, Vicente Jorge, coleccionou ao longo de 50 anos.

José Vicente Jorge (Freguesia de São Lourenço, Macau, 1872 ― Lisboa, 1948), coleccionador de arte que mostra a sua perícia neste autêntico catálogo de arte chinesa. Frequentou o Seminário Diocesano e concluiu a formação na Escola de Intérpretes da Repartição do Expediente Sínico, onde adquiriu conhecimentos de chinês, inglês, francês, História, Literatura, Filosofia e Arte Chinesa. Ingressou na Repartição do Expediente Sínico em 1890, exercendo funções como intérprete e tradutor, tendo igualmente sido destacado para a Legação de Portugal em Pequim.

Transformou a sua mansão num verdadeiro museu, reconhecido como um dos mais importantes espaços privados de arte chinesa em Macau. Após a Segunda Guerra Mundial, grande parte da coleção foi vendida e o restante espólio distribuído pelos seus dez filhos após a sua morte, levando à sua fragmentação. A casa foi vendida em 1948 e, depois de retirada a coleção, deixou de funcionar como casa-museu, sendo posteriormente demolida. Apesar da proposta para a transformar num museu público ter sido recusada pelo Governo Português, e de uma posterior tentativa dos netos para criar uma casa-museu em Macau, ambas as iniciativas acabaram por não se concretizar.

Foi professor de língua sínica no Instituto Comercial anexo ao Liceu de Macau e, posteriormente, solicitador da comarca de Macau. Foi um destacado tradutor-intérprete que chegou a ser cônsul-geral de Portugal em Cantão, tendo desempenhado, enquanto chefe do Expediente Sínico, a função de mediador durante momentos decisivos da história de Macau e do Mundo, nomeadamente a Iª Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), a Revolta dos Boxers (1898-1901), a implantação das repúblicas portuguesa (1910) e chinesa (1911) e a Iª Guerra Mundial (1914- 1918). Dedicou-se ainda ao estudo das relações luso-chinesas e destacou-se como coleccionador de arte chinesa, sendo agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo em 1926. Publicou, entre outras obras, San-Tok-Pun – Novo Methodo de Leitura (1907–1908) e Notas sobre a Arte Chinesa (1940).

 Oblong book, 19.5 × 27 cm. 146, [ccxxiv] pp. Publisher’s illustrated cardboard hardback. Richly illustrated throughout the text with engravings, and in the appendix with 524 photographs and reproductions of Chinese artworks, including previously unpublished items from the collection of Dr Pedro Barreiros, printed on glossy paper.

Copy with minor damage to the foot of the spine.

This work forms part of the promotion of colonial artistic expressions and productions at the 1940 Portuguese World Exhibition. It provides a comprehensive chronological account of Chinese art and its major works from each dynasty. The author’s work is intended to serve as a guide for collectors of Chinese art through its description of manufacturers’ marks, particularly from the Ming and Qing dynasties; workshop marks and imperial workshop marks; marks expressing good wishes and congratulations; Chinese symbols and their interpretation; Buddhist relics and emblems; descriptions of bronze, glass and jade objects, as well as paintings; and furthermore: calligraphy, enamel, engravings, woodcarvings, lacquerware, textiles, brocades and embroidery, etc. At the end of the book, photographs are reproduced showing part of the collection of 10,000 objects that the author has assembled over 50 years.

A study of historical and artistic popularisation of great interest to collectors and antique dealers, preceded by a brief biographical note on the author, with some photographs and other documents illustrating his life in Macao and Beijing, as well as his work. Dedicated to the cataloguing and detailed description of the main branches of Chinese art – ceramics, bronze, jade, painting, calligraphy, sculpture, printmaking, enamel, lacquer, embroidery and furniture – covering their origins, characteristics and leading manufacturers, and distinguishing between periods of greater and lesser splendour.

The notes on ceramics – both monochrome and polychrome – which make up the bulk of the work, are of particular value as they include a collection of the main decorative motifs, marks (including dates, room marks, manufacturer’s or factory marks, as well as expressions of good wishes and praise, amongst others) and symbols used on porcelain. Attached is an annotated selection of pieces chosen from among the 10,000 that the author, Vicente Jorge, has collected over the course of 50 years.

José Vicente Jorge (Parish of São Lourenço, Macau, 1872 – Lisbon, 1948), an art collector who demonstrates his expertise in this authentic catalogue of Chinese art. He attended the Diocesan Seminary and completed his training at the School of Interpreters of the Chinese Affairs Department, where he acquired knowledge of Chinese, English, French, history, literature, philosophy and Chinese art. He joined the Chinese Affairs Office in 1890, working as an interpreter and translator, and was also seconded to the Portuguese Legation in Beijing.

He transformed his mansion into a veritable museum, recognised as one of the most important private venues for Chinese art in Macau. After the Second World War, a large part of the collection was sold, and the remainder was divided amongst his ten children following his death, leading to its fragmentation. The house was sold in 1948 and, once the collection had been removed, it ceased to function as a house-museum and was subsequently demolished. Although a proposal to turn it into a public museum was rejected by the Portuguese Government, and there was a subsequent attempt by his grandchildren to establish a house-museum in Macau, neither initiative ultimately came to fruition.

He was a teacher of Chinese at the Commercial Institute attached to the Macau Liceum and, later, a solicitor for the district of Macau. He was a distinguished translator and interpreter who went on to become Portugal’s Consul-General in Guangzhou; whilst head of the Chinese Affairs Office, he acted as a mediator during decisive moments in the history of Macau and the world, notably the First Sino-Japanese War (1894–1895), the Boxer Rebellion (1898–1901), the establishment of the Portuguese Republic (1910) and the Chinese Republic (1911), and the First World War (1914–1918). He also devoted himself to the study of Sino-Portuguese relations and distinguished himself as a collector of Chinese art, being awarded the rank of Commander of the Military Order of Christ in 1926. His published works include, amongst others, San-Tok-Pun – Novo Methodo de Leitura (A New Reading Method ) (1907–1908) e Notas sobre a Arte Chinesa (Notes on Chinese Art ) (1940).

Referências:
Macau Antigo, João Botas: Notas sobre a vida de José Vicente Jorge, 2012.
Jornal Tribuna de Macau, António Aresta, 2019.
Jornal Tribuna de Macau, 16 Março 2016, Resumo da entrevista na Rádio Macau dos netos de José Jorge.
Macau Antigo, João Botas, 2012.
Renascimento, N.º 2, Maio 1943, pp. 485-490.


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Referência: 2607RS004
Local: SACO RS875-06


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