RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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LOUREIRO. (Adolfo Ferreira de) OS PORTOS MARITIMOS DE PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES. [CONJUNTO PARCIAL DE 8 VOLUMES]

Por Adolpho Loureiro Inspector geral de obras publicas. Volume I [até Volume III, Parte III; Atlas I, Atlas III]. Lisboa. Imprensa Nacional. 1903-1907.

8 Volumes, dos quais sete de 25x17 cm e um (Atlas III) de 32x25 cm. Cinco volumes de texto com 619; 312; 499, [iii]; 564, [iv]; 326, [iv] págs.; dois atlas com [ii] bifólios, 15 f.; [vi] págs., 25 f.; e quatro separatas encadernadas num volume com 91, [v]; 194, [viii]; 228, [viii]; 150, [ii] págs.

Encadernações com lombadas em pele ornamentadas com ferros a ouro, incluindo no pé a inscrição de posse «Academia de Estudos Livres». Cortes das folhas dos primeiros cinco volumes mosqueados. As encadernações do Atlas I e do volume de separatas, embora semelhantes às restantes, são mais recentes e encontram-se em melhor estado.

Profusamente ilustrado no texto com gráficos, tabelas, quadros estatísticos e fotografias a preto e branco, algumas em extratexto sobre papel couché. Os dois atlas conservam todas as estampas que lhes correspondem: 15 no Atlas I e 25 no Atlas III. São grandes estampas litografadas e cromolitografadas, na maioria desdobráveis, com planos hidrográficos, sondagens, plantas urbanas e portuárias, perfis de molhes e cais, alçados de edifícios, equipamentos marítimos e projectos executados ou propostos para os portos portugueses. No Atlas III, dedicado a Lisboa e à enseada de Cascais, distribuem-se 126 figuras abrangendo projectos desde o século XVII até às obras contemporâneas da publicação. O volume de separatas duplica oito estampas que constam do Atlas I e acrescenta as de Aveiro e da Figueira da Foz, que representam parte do material iconográfico do Atlas II ausente.

Impressão cuidada, em caracteres redondos, com as armas nacionais nas folhas de rosto. As separatas têm rostos e índices próprios, reproduzindo integralmente os capítulos correspondentes dos volumes gerais.

Exemplar com dedicatória manuscrita do autor à Academia de Estudos Livres de Lisboa no volume II e carimbos oleográficos de posse da instituição em alguns rostos, assim como do encadernador-dourador David Caeiro nas guardas. Acentuada pulverulência da pele nas lombadas dos seis volumes com as encadernações mais antigas, que libertam resíduos castanhos.

Conjunto muito invulgar, reunindo a primeira fase desta obra monumental, publicada entre 1904 e 1907, com os cinco tomos de texto dos volumes I a III, os Atlas I e III e quatro separatas; todos provenientes da Academia de Estudos Livres. Precisamente no ano em que começaram a sair estes volumes, a instituição passou a designar-se «Academia de Estudos Livres — Universidade Popular», desenvolvendo ensino nocturno para adultos e actividades de divulgação científica e cultural. A publicação integral prolongou-se para além da morte do autor, compreendendo cinco volumes de texto repartidos por oito livros e cinco atlas, num total de 13 volumes físicos, editados entre 1904 e 1924, estendendo-se aos portos de Sesimbra ao Algarve, à Madeira e aos Açores.

Obra de referência para a história da engenharia hidráulica e portuária portuguesa. A sua elaboração foi determinada pela portaria ministerial de 5 de Julho de 1901, transcrita na introdução do primeiro volume, que encarregou Loureiro de reunir para cada porto o plano hidrográfico, as observações meteorológicas, a história e o custo das obras realizadas, os projectos ainda necessários e as estatísticas comerciais e de navegação. O resultado ultrapassa o carácter de relatório administrativo: articula história local, hidrografia, engenharia, cartografia, economia marítima e documentação de projectos, preservando propostas abandonadas, variantes técnicas e levantamentos anteriores às grandes transformações portuárias do século XX.

O Volume I abre com uma introdução de 57 páginas sobre a marinha, o comércio, a navegação e a função económica dos portos, seguindo-se os portos entre Caminha e o Douro, incluindo Viana do Castelo, Esposende, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, a barra do Douro e Leixões. O Volume II prossegue de Aveiro à Ericeira, tratando extensamente a Figueira da Foz. As três partes do Volume III constituem uma ampla monografia do porto de Lisboa e da enseada de Cascais, completada pelo estudo da Lisboa marítima e comercial. Os atlas dão expressão visual a esta investigação, confrontando sucessivos projectos e soluções construtivas; a elevada qualidade e as grandes dimensões dos desdobráveis permitem ler com pormenor as sondagens, canais, aterros, docas, molhes e frentes urbanas. O volume de separatas reúne os artigos relativos aos portos de Aveiro (1904), da barra do Douro (1903), de Leixões (1904) e da Figueira da Foz (1905), todos presentes nos volumes anteriores, com exceção das duas gravuras assinaladas.

Adolfo Ferreira de Loureiro (Coimbra, 12 de Dezembro de 1836 – Lisboa, 22 de Novembro de 1911) foi engenheiro civil, oficial do Exército e administrador das obras públicas. Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, concluiu os cursos de Estado-Maior e de Engenharia Civil na Escola do Exército. Entrou em 1860 ao serviço do Ministério das Obras Públicas, dirigindo durante largos anos as obras do Mondego e da barra da Figueira da Foz; participou nos estudos dos portos do Douro, Leixões, Aveiro, Lisboa, Ponta Delgada, Faial e Macau, e foi Director-Geral e depois Inspector-Geral das Obras Públicas. Trabalhou em «Os Portos Maritimos de Portugal e Ilhas Adjacentes» até aos últimos dias de vida, ficando a parte relativa aos Açores incompleta e sendo publicada postumamente.

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Ref.:

- Catálogo BNP, cotas S.C. 5702 A.–5714 A.; TR. 847–854 A.; atlas C.A. 38 V., C.A. 159 V., C.A. 430–433 V. e C.A. 580 V.
- Oliveira, I. B. Mota. Adolpho Ferreira de Loureiro, 1836-1911: Nota Biográfica. Lisboa: Delegação Portuguesa da AIPCN, 2003.
- Pintassilgo, Joaquim. «O projecto pedagógico das Universidades populares no Portugal das primeiras décadas do século XX. O exemplo da Academia de Estudos Livres». Comunicação ao IV Congresso Brasileiro de História da Educação, 2006.
- Inocêncio XX, 83-87.


Temáticas

Referência: 2606SB004
Local: SACO SB281-07


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