RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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VITORIA. (Fray Baltasar de) TEATRO DE LOS DIOSES DE LA GENTILIDAD.

PRIMERA [E SEGUNDA] PARTE DEL TEATRO DE LOS DIOSES DE LA GENTILIDAD, Avtor el Padre Fray Baltasar de Vitoria, Predicador de San Francisco de Salamanca, y natural de la misma Ciudad. Corregido aora nuevamente. Año 1722. Con Licencia: En Barcelona, en la Imprenta de Juan Pablo Marti. [SEGUNDA PARTE... Con Licencia: Barcelona, en la Imprenta de Juan Piferrer, à la Plaça del Angel, Año 1722. A costa de los Herederos de Gabriel de Leon.]

2 Volumes de 21,5x16 cm. Com [viii], 679, [i br.], [vi]; [iv], 590, [vi] págs. Encadernações da época inteiras de pele, com nervos, rótulo vermelho e ferros a ouro nas lombadas, em casas fechadas com pequenos ferros florais. 

No rosto do primeiro volume, pequena marca tipográfica xilogravada do impressor, com uma figura animal de cauda longa enrolada — aparentemente um símio — empunhando um escudo com uma estrela de seis pontas. O rosto do segundo volume não tem marca. Ambos os rostos têm cercaduras tipográficas com motivos vegetalistas. Gravura xilográfica na p. 463 do primeiro volume, representando as direcções dos vento.

Impressão em caracteres redondos e itálicos, com notas marginais de autoridades ao longo de todo o texto. Iniciais decoradas e cabeções tipográficos simples nas primeiras páginas dos capítulos principais, e no fim dos mesmos belos florões de remate, alguns de grandes dimensões e fino recorte, com máscaras e motivos antropomórficos.

Exemplar não preserva o rótulo vermelho do primeiro volume e com etiquetas de cota em ambas as lombadas. Carimbo oleográfico de posse de A. Morreira de Sá, nas folhas de rosto, folha da pág. 679 do primeiro volume está solta e tem falta da primeira folha do índice remissivo do mesmo volume. Picos de traça junto ao festo nas páginas finais do índice do primeiro volume, sem atingir o texto ou condicionar a leitura. Etiqueta de cota na pasta anterior, anotações a tinta e marcas de posse manuscritas no rosto, verso do rosto e guarda anterior de ambos os volumes.

Edição barcelonesa de 1722 do Teatro de los dioses de la gentilidad, o primeiro repertório enciclopédico de mitologia clássica em castelhano. A edição original saiu em Salamanca (Primeira parte, 1620; Segunda parte, 1623); a obra conheceu numerosas reimpressões ao longo dos séculos XVII e XVIII, nenhuma das posteriores feita já em vida do autor. Foi publicada uma terceira parte, escrita por Juan Bautista Aguilar e acrescentada à obra a partir de 1688. Esta edição tem a particularidade de ter sido impressa em duas oficinas barcelonesas distintas — a primeira e terceira partes por Juan Pablo Martí, e a segunda por Juan Piferrer.

Preliminares incluem a Suma de la Tassa (1722), as aprovações de Lope de Vega Carpio, de Fr. Antonio de Herrera e de Fr. Juan Bautista Palacio, o prólogo «Al Lector» e sonetos laudatórios de Fr. Juan de Deza, Antonio de la Bata y Cangas, Fr. Alonso de Truxillo, do licenciado Antonio de Tolosa (sobrinho do autor) e de Fr. Juan de Sarria. Ambos os volumes terminam com índices remissivos alfabéticos.

A obra distribui treze capítulos pelos dois volumes, consagrando cada um a cada divindade. O primeiro volume trata de Saturno, Júpiter, Neptuno, Plutão, Apolo e Marte; o segundo abre com Mercúrio — que o autor coloca à frente de Marte, por considerar a sabedoria anterior às armas — e prossegue com Hércules, Juno, Minerva, Diana e Vénus, fechando com um sétimo livro dedicado aos «dioses de menor quantía». Cada capítulo expõe a genealogia do deus, as suas metamorfoses, os templos e cidades onde era venerado, e os animais, árvores e plantas que lhe eram consagrados, com as respectivas propriedades.

Vitoria compõe o seu repertório seguindo o esquema da Genealogia deorum gentilium de Boccaccio, com um denso aparato de autoridades nas margens, entre as quais o Catalogus Gloriae Mundi de Bartolomé Cassaneo. O Teatro foi o manual mitológico castelhano de maior circulação e influência no Siglo de Oro, servindo de fonte de consulta a poetas, pregadores e dramaturgos. No domínio português, um estudo recente de Carlos Gontijo Rosa aponta-o como fonte provável das peças mitológicas de António José da Silva, «o Judeu», por nelas se reencontrarem, na mesma ordenação e tratamento, mitos compilados nas duas partes da obra. A aprovação assinada por Lope de Vega Carpio (1619), encadernada nos preliminares, é um elemento de interesse acrescido.

Fray Baltasar de Vitoria (Salamanca, segunda metade do séc. XVI – ca. 1657) foi frade franciscano, mitógrafo e pregador, prior do convento de São Francisco de Salamanca, a cidade onde nascera. Aluno do humanista Baltasar de Céspedes em Salamanca, reuniu sólida formação clássica. 

Ref.:
Catálogo BNP, Cotas: H.G. 15330-15332 P. 
Catálogo BNE, OCLC: (OCoLC)433169164
Gontijo Rosa, Carlos. «O mitógrafo Baltasar de Vitoria como possível fonte para as narrativas mitológicas de António José da Silva, o Judeu». Hipogrifo, (issn: 2328-1308), 11.1, 2023, pp. 995-1010.
Pérez Carrillo, Cynthia. Traducir los mitos en el Renacimiento: el teatro mitográfico de Baltasar de Vitoria. Tese de doutoramento, Universidad de Murcia, Université de Corse, 2020.
Palau (1990) VII, 169.


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Referência: 2606SB002
Local: SACO SB279


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