RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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BOLETIM DA UNIÃO DOS ATIRADORES CIVIS PORTUGUEZES. N.º 1 - JANEIRO 1908 — N.º 57 - SETEMBRO 1912. [51 NÚMEROS]

Tiro Nacional. Reconhecida como instituição legal e patriotica por Decreto de 13 de Outubro de 1898. Fundada em 30 de Março de 1898. Preço de assignatura 240 rs. por anno. Publicação Mensal. Dirigido pela Commissão Executiva da União. Sede em Lisboa, Centro Nacional de Esgrima, no salão do Real Theatro de S. Carlos; a partir do N.º 6 (Junho de 1908), Rua Ferregial de Baixo, 38, 2.º Direito. Typographia Universal de Coelho da Cunha, Brito & C.ª, rua do Diario de Noticias, 110. Lisboa. 1908–1912.

51 Números de 25x16 cm. Com 944 págs. Paginação seguida ao longo de todos os números. Brochados, com as capas originais preservadas, acondicionados em pasta da época com atilhos.

Exemplar com papel quebradiço nas margens de alguns números. Vários números encontram-se com as páginas por abrir. Conserva carimbos oleográficos de posse da Escola Politécnica de Lisboa e, em números posteriores, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa — transição que reflecte a reforma do ensino superior de 1911, em que o património da antiga Escola Politécnica foi transferido para a recém-criada Faculdade de Ciências. Faltam ao conjunto os N.os 17, 18, 43, 50, 53 e 55, bem como os três últimos números da série (Outubro a Dezembro de 1912).

Conjunto raro e quase completo da segunda série do boletim oficial da União dos Atiradores Civis Portuguezes (UACP), que teve um total de 60 números publicados entre Janeiro de 1908 e Setembro de 1912. A Biblioteca Nacional de Portugal regista o título sob a cota J. 1769//7 G mas conserva apenas os primeiros 14 números, correspondentes a uma primeira fase de numeração publicada entre Julho de 1905 e Dezembro de 1907. A segunda fase, aqui representada, foi concebida com paginação contínua ao longo de cinco anos com vista à sua eventual reunião em volume.

O Boletim resulta de uma reorganização editorial sucessiva à fundação da UACP. A revista Tiro e Sport, fundada em 1904 sob a direcção de Anselmo de Sousa, funcionou como órgão oficial da União até 30 de Junho de 1906; após essa data, a UACP autonomizou a publicação das suas notícias institucionais sob a forma deste boletim mensal. A relação genética entre as duas publicações é registada no próprio catálogo da Biblioteca Nacional, que descreve o Boletim como «extrato» de Tiro e Sport.

A publicação acompanha um dos períodos mais conturbados da história política portuguesa, registando a transição da Monarquia Constitucional para a Primeira República. A doutrina da «Nação Armada», de inspiração suíça e francesa, era apresentada no Boletim como dever patriótico e como complemento civil ao exército permanente, fundamentação que se manteve nos dois regimes ainda que com inflexão ideológica após Outubro de 1910.

Os números estão estruturados em secções regulares: doutrina (artigos teóricos sobre o tiro civil e a «Nação Armada»), notícias oficiais da União (actas, editais, expansão das filiais), cadastro das carreiras de tiro existentes no continente, ilhas e colónias, estrangeiro, efemérides militares e patrióticas, e bibliografia. Colaboraram regularmente nesta segunda série, para além de Anselmo de Sousa, o Padre J. F. Xavier de Ataíde e Oliveira, o jurista e publicista José Maria da Cunha e Costa, o Coronel Bartholomeu Sezinando Ribeiro Arthur, e Pedro José Ferreira. A comissão executiva responsável pela administração em 1908 integrava ainda Annibal do Amaral, Augusto Ferreira Pinto Basto e José Antunes de Oliveira. 

Entre os números do lote destacam-se: o N.º 2 (Fev. 1908), com homenagem póstuma a D. Carlos I — Presidente Honorário da UACP — assassinado a 1 de Fevereiro desse ano; o N.º 20 (Ago. 1909), que inclui «Alguns apontamentos para a historia da União dos Atiradores Civis Portuguezes» e regista a fundação da 14.ª Filial da União em Trancoso; o N.º 34 (Out. 1910), publicado dias após a implantação da República, em que a direcção declara expressamente a adesão da União às novas instituições, com o editorial «A "União" e as novas instituições» e a crónica da «Festa da Bandeira»; e os N.os 56 e 57 (Ago.-Set. 1912), que registam os resultados do Concurso Nacional de Tiro e da participação portuguesa no Match Internacional Baiona-Biarritz, bem como os debates legislativos sobre as Sociedades de Instrução Militar Preparatória que viriam, em 1916, a substituir a UACP pela Federação do Tiro Nacional Português.

Anselmo de Sousa (fl. 1893 – 1911) foi um dos principais organizadores do associativismo desportivo e cívico português do final do século XIX. Fundador da Associação dos Atiradores Civis Portugueses (1893), da Associação Protectora da Caça em Tempo Defezo (1896), da União dos Atiradores Civis Portugueses (1898) e da União Velocipédica Portuguesa (1899). Director e co-proprietário do semanário O Tiro Civil (1895-1903) e da revista Tiro e Sport (1904-1913), dirigiu também este Boletim desde a sua fundação em 1905 até à sua morte em 1911. A AACP instituiu em 1896 o «Prémio Anselmo de Sousa» em sua honra.

Referências:
Catálogo BNP, cota J. 1769//7 G.
Hemeroteca Digital de Lisboa, ficha histórica de Tiro e Sport: revista de educação física e actualidades (1904-1913).
Hemeroteca Digital de Lisboa, ficha histórica de O Tiro Civil: orgão da Associação dos Atiradores Civis Portuguezes (1895-1903).
Imprensa Nacional, Estatutos da União dos Atiradores Civis Portuguezes, aprovados por decreto de 13 de Outubro de 1898.


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Referência: 2605SB001
Local: SACO SB278-03


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