RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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BACELLAR. (Bernardo de Lima e Melo) DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUEZA,

EM QUE SE AÇHARÃO DOBRADAS PALAVRAS DO que traz Bluteau, e todos os mais Diccionaristas juntos: a sua propria significação: as raizes de todas ellas: a accentuação: e a selecção das mais usadas, e polídas: a Grammatica Philosophica, e a Orthographía Racional no principio, e as explicaçoens das abbreviaturas no fim desta Obra. OBRA DA PRIMEIRA NECESSIDADE PARA TODO aquelle, que quizer falar, e escrever com acerto a lingua Portugueza; por ser impossivel, que pelos Livros atégóra impressos possa algum saber a terça parte do idiôma Portuguez. COMPOSTO POR BERNARDO DE LIMA, E MÉLO BACELLAR, PRIOR NO ALENTEJO &c. LISBOA: Na Offic. DE JOZÉ DE AQUINO BULHOENS. Anno de MDCCLXXXIII [1783]. Com licença da Real Mesa Censoria.

De 21x16 cm. Com x, 65, [i br.], 582, [ii br.] págs. Encadernação da época inteira de pele, com nervos, rótulo vermelho e ferros a ouro na lombada.

Texto disposto em duas colunas na secção do dicionário. Impressão em caracteres redondos e alguns itálicos. Ornamentada com pequena vinheta xilogravada representando cena arquitectónica na folha de rosto, cabeção vegetalista e inicial decorada ao início do dicionário.

Exemplar restaurado, com folhas de guarda novas. Folha de rosto com duas manchas de tinta na metade inferior que fragilizaram o papel, tornando-o quebradiço, propagando-se para a folha seguinte. 

Edição rara deste ambicioso dicionário da língua portuguesa, publicado com licença da Real Mesa Censória. Segundo Inocêncio, pouco depois de publicada, a obra «começou a servir de alvo aos apodos e sarcasmos dos críticos», correndo o rumor de que a autoridade pública teria intervindo para retirar exemplares de circulação — o que teria contribuído para a sua raridade e para os preços mais elevados que passaram a atingir. Situa-se cronologicamente entre o monumental «Vocabulario Portuguez e Latino» de Rafael Bluteau (1712–1728, dez volumes in-folio) e o «Diccionario da Lingua Portugueza» de António de Morais Silva (1789), que viria a impor-se como referência lexicográfica dominante no século XIX. É o primeiro dicionário monolingue da língua portuguesa a ostentar esse título moderno.

No verso da folha de rosto, Bacellar transcreve uma passagem de Voltaire sobre a supremacia da língua grega e acrescenta: «E bem similhante á Grega he a Lingua Portugueza sua descendente; como o procésso mostrará» — afirmação programática que anuncia a sua tese linguística central. Segue-se, nas páginas em numeração romana, um extenso prólogo em que o autor justifica cada vertente da obra. As páginas 1 a 37 contêm uma «Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza», organizada em três partes — o Agente (nominativo), a Acção (verbo) e o Accionado (paciente) —, com prólogo e índice próprios. As páginas 38 a 65 apresentam uma «Orthographia Philosophica», precedida de um levantamento cronológico das ortografias portuguesas desde Aires Barbosa (1517) até Madureira. O dicionário propriamente dito ocupa a segunda paginação, em duas colunas, com uma secção de abreviaturas, apêndice e erratas a partir da página 567.

A obra distingue-se das precedentes em três aspectos concretos. Primeiro, na escala: Bacellar afirma no prólogo ter reunido o dobro das palavras de Bluteau e de todos os demais dicionaristas juntos, tendo percorrido todas as províncias de Portugal, consultado cartórios e livros da Torre do Tombo, e recolhido vocabulário junto de artífices, naturalistas, boticários, poetas e tradutores, além de correspondentes nas Conquistas ultramarinas. Segundo, no método etimológico: cada entrada é acompanhada da raiz grega, latina, árabe ou hebraica, segundo um sistema hierárquico em que a etimologia grega prevalece sobre a latina, e esta sobre as demais — reflexo da tese de que os portugueses constituem colónias gregas antiquíssimas, tendo conservado cerca de duas terças partes de vocabulário grego. Terceiro, no sistema de abreviação: Bacellar condensou num único volume in-quarto o que Bluteau dispersara em dez volumes in-folio, utilizando um sistema de barras e sinais explicado nas últimas páginas, que permite derivar famílias inteiras de palavras a partir de uma raiz comum. Os vocábulos que o autor considera mais usados e polidos são assinalados em itálico, constituindo uma forma de selecção lexical baseada no uso, na consonância e na etimologia, por esta ordem de prioridade. O próprio autor sublinha ter trabalhado sozinho, ao contrário da Academia Francesa, que empregara quarenta académicos durante cento e quarenta e oito anos.

Apesar das limitações apontadas por Inocêncio e por Verdelho, que a qualifica como «obra falhada», a Gramática Filosófica que precede o dicionário constitui a primeira gramática portuguesa declaradamente filosófica, inserindo-se na corrente iluminista europeia que vai de Port-Royal a Condillac. Ao estruturar a gramática a partir da proposição — e não do alfabeto e das sílabas, como era uso corrente —, Bacellar adopta um método analítico que vai do complexo para o simples, revelando familiaridade com as gramáticas francesas da época. O autor cita no prólogo a «Encyclopédie méthodique. Grammaire et littérature» de 1782, publicada em Paris apenas um ano antes.

Bernardo de Lima e Melo Bacelar (1736 – fl. 1787) foi frade franciscano observante da Província de Portugal, registado sob o nome religioso de Frei Bernardo de Jesus Maria. Publicou a presente obra sob o nome secular, identificando-se como Prior no Alentejo. Manteve correspondência durante pelo menos vinte anos com D. Frei Manuel do Cenáculo, superior provincial da Ordem e figura central da reforma pedagógica pombalina. Em 1787, enviou de Paris a Cenáculo uma cópia manuscrita da «Crónica de Idácio», feita por seu punho na Biblioteca Real francesa. Além da presente obra, publicou uma «Arte e Diccionario do Commercio e Economia Portugueza» (Lisboa, 1784), elogiada por João Pedro Ribeiro. Os dados sobre a sua naturalidade e óbito permanecem desconhecidos.

Referências:
Catálogo BNP, L. 6683 V.
Inocêncio I, 378-379, n.º 288
Verdelho, Telmo. «Dicionários Portugueses, Breve História». In: Nunes, José Horta e Petter, Margarida (orgs.), História do Saber Lexical e Constituição de um Léxico Brasileiro. São Paulo: Humanitas/Pontes, 2002, pp. 15–64.
Torres, Amadeu. «A 'Grammatica Philosophical' de Bernardo de Lima e Melo Bacelar». Revista Portuguesa de Filosofia, T. 50, Fasc. 1/3, 1994, pp. 459–466.
Torres, Amadeu. «O contributo conceptual das gramáticas filosóficas para a história da língua portuguesa». Actas do XII Encontro da APL, pp. 385–395.
Teixeira, José. «'Sons, signaes, ou accenos': A comunicação na Gramática Filosófica de Melo Bacelar». Actas do XII Encontro da APL, pp. 581–586.
Elia, Sílvio. Resenha de BACELAR, Bernardo de Lima e Melo, Gramática Filosófica da Língua Portuguesa (1996). Confluência, n.º 13, 1997, pp. 107–109.


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Referência: 2603SB004
Local: SACO SB275-22


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