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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. PALLA. (Victor) e Costa Martins. LISBOA, CIDADE TRISTE E ALEGRE.[Edição dos autores. Distribuída por Círculo do Livro, Lda. Lisboa. 1959]. De 30x24 cm. Com 8, xi, 9-152, [xxii]. Encadernação recente em percalina azul, com ferros a ouro na lombada, incluindo a data de 1926 que não é a data de edição, mas sim a da citação do poema de Álvaro de Campos na folha de rosto, Lisbon Revisited (1926). Profusamente ilustrado com cerca de 200 fotografias a preto e branco reproduzidas em rotogravura, executada nas oficinas da Neogravura. Inclui encartes, algumas folhas de menores dimensões e desdobráveis: variações de formato intencionais no design original dos autores. Impressão de qualidade sobre cartolina off-set de 160 gramas. Parte tipográfica executada na Sociedade Industrial de Tipografia. Exemplar não conserva a sobrecapa original e apresenta algumas folhas fora de ordem, por erro da encadernação, mas está completo: as primeiras páginas estão na ordem 5-6-7-8-1-2-3-4; e as folhas com as páginas 41-42 e 43-44 estão trocadas. Parte das folhas preliminares está por abrir. Primeira edição raríssima e de excepcional importância deste foto-livro icónico, considerado a obra fundadora da fotografia moderna em Portugal e um dos mais sofisticados e vibrantes livros de fotografia do pós-guerra europeu, a par de obras como New York (Klein, 1956), Love on the Left Bank (Van der Elsken, 1955) e Les Américains (Frank, 1958). Concebido como um «poema gráfico» — designação dos próprios autores —, o livro transcende a mera reportagem fotográfica para se afirmar como uma obra híbrida, onde a sequência de imagens obedece a uma lógica musical e rítmica, e onde a poesia actua como ressonância emocional. As cerca de 200 fotografias a preto e branco, deliberadamente não identificadas quanto a autoria individual, foram seleccionadas de entre mais de 6000 imagens captadas ao longo de três anos de deambulações sistemáticas por Lisboa, sobretudo pelos bairros de Alfama, Mouraria, Bairro Alto e pela Baixa. As imagens são acompanhadas por excertos de poemas de autores portugueses, incluindo inéditos de Alexandre O’Neill, Armindo Rodrigues, David Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade, Jorge de Sena e José Gomes Ferreira, além de textos clássicos de Fernando Pessoa, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro, Camilo Pessanha, Almada Negreiros e outros. Nas páginas preliminares, a obra abre com um texto de apresentação de José Rodrigues Miguéis e com um índice dos poemas incluídos, identificando os inéditos. Nas páginas finais numeradas em romano consta um índice pormenorizadamente comentado sob o ponto de vista artístico e técnico, no qual os autores detalham as câmaras utilizadas (Leica, Rolleiflex, Rectaflex, Ikonta), as objectivas (Elmar 50mm, Old Delft Minor 35mm, Wollensak 90mm), as películas (Tri-X, Plus-X, Hauff), as velocidades de obturação, as aberturas de diafragma e o tratamento laboratorial de cada fotografia. Esta secção, autentica autópsia do processo criativo, revela a consciência técnica e estética dos autores — as suas preocupações gráficas, fotográficas e cinematográficas, com a experimentação deliberada de velocidades lentas, os cortes, as sequências, as difrações as sobre-revelações e o alto contraste. A reacção do público foi, em geral, de repulsa e indiferença, observando frequentemente que eram fotografias «escuras» ou «tremidas». Foi um fracasso editorial e o desinteresse pela obra foi tal, que em 1982, mais de metade dos fascículos se encontravam numa cozinha da Associação Portugal-Cuba e nem a Biblioteca Nacional, nem as bibliotecas da Câmara de Lisboa ou da Gulbenkian possuíam qualquer exemplar. Neste mesmo ano, António Sena resgata a obra do esquecimento ao realizar a exposição «Lisboa e Tejo e Tudo», apresentada na galeria e associação Ether, em Lisboa, ocasião em que se reuniram os tais fascículos remanescentes, montando-se cerca de 200 exemplares com novas capas. Contudo, a obra apenas viu a sua derradeira consagração, tanto a nível nacional como internacional, em 2004, com a inclusão em destaque no primeiro volume de The Photobook: A History, de Martin Parr e Gerry Badger, que a consideraram um dos melhores foto-livros europeus do seu período. Seguiram-se reedições fac-similadas pela Pierre von Kleist Editions em 2009 e 2015, com uma separata de Gerry Badger, assim como uma reedição em fascículos pelo jornal Público em 2018, acompanhando a exposição «Lisboa, cidade triste e alegre: arquitectura de um livro», comissariada por Rita Palla Aragão no Museu de Lisboa. Nenhuma das reedições posteriores reproduz a qualidade da rotogravura original, apresentando imagens sensivelmente menos nítidas; a reedição do Público redimensiona-as ainda para formato menor. Victor Manuel Palla e Carmo (Lisboa, 1922 – Lisboa, 2006) foi arquitecto, fotógrafo, editor e designer gráfico. Formado na Escola Superior de Belas-Artes do Porto em 1948, fundou o Círculo do Livro em 1955 com o escritor Orlando da Costa. Em parceria com Joaquim Bento d'Almeida, projectou espaços emblemáticos da modernidade lisboeta, como o snack-bar Galeto. Opositor activo do regime de Salazar e militante do PCP, participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas da SNBA, onde a fotografia começou a ganhar dignidade artística. Manuel Ramos da Costa Martins (Lisboa, 1922 – Lisboa, 1996?) foi arquitecto e fotógrafo. Formado nas Belas-Artes de Lisboa e do Porto (1956), colaborou nos projectos do Bairro de Alvalade na Câmara Municipal de Lisboa e mais tarde na Direcção dos Monumentos Nacionais. Docente no IADE e colaborador da revista Arte Opinião, manteve sempre uma ligação estreita entre a prática projectual da arquitectura e a investigação visual do espaço urbano. Ref.: Catálogo BNP, Cota: E.A. 583 V. Referência: 2602SB009
Local: SACO SB278-01 Caixa de sugestões A sua opinião é importante para nós. Se encontrou um preço incorrecto, um erro ou um problema técnico nesta página, por favor avise-nos.
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