Escritos por Manoel Alvares Da Congregação do Oratorio do Porto; Que Os Dedica Ao Serenissimo Senhor D. Gaspar, Arcebispo Primáz das Hespanhas, Senhor de Braga &c. &c. &c. PORTO: Na Officina de Francisco Mendes Lima, Anno de 1760. Com todas as licenças necessarias. E Privilegio Real.
De 14,5x10 cm. Com [xvi], 320 págs. Encadernação da época inteira de pele, com rótulo vermelho, nervos e ferros a ouro na lombada. Cortes das folhas carminados.
Impressão ornamentada com um belo cabeção xilogravado com as armas reais na dedicatória.
Exemplar com falta das págs. 231-234, correspondentes a parte da Conferência III sobre as figuras e modos silogísticos.
Obra rara. Conheceu uma segunda edição na mesma oficina portuense em 1768. Manual de lógica redigido em forma dialogística por um congregado do Oratório do Porto, dedicado a D. Gaspar de Bragança, Arcebispo de Braga. A licença do Santo Ofício, datada de 25 de Janeiro de 1760, condicionou a impressão à remoção dos elogios que o autor dirigia a Locke, Leclerc, Wolff e Newton, designados como «Claríssimos, Sapientíssimos, portentos da ciência» — restrição que testemunha a tensão entre a abertura filosófica dos oratorianos e os limites impostos pela censura inquisitorial.
A obra organiza-se em quatro conferências, precedidas de uma introdução em que os dois interlocutores — Fábio, homem versado em ciências retirado no campo, e Florêncio, mancebo desprovido de estudos — estabelecem o quadro dialogístico. As conferências tratam, respectivamente, das ideias, dos juízos, dos discursos (silogismos) e do método, concluindo com um apêndice sobre a lógica de Descartes e Newton. No prólogo, o autor demarca-se expressamente da lógica escolástica, que considera própria «para perturbar a nossa mente e diminuir o nosso engenho», alinhando-se com a tradição de Bacon, Descartes, Locke e Genovesi. O uso do português e do método dialogístico justifica-se pela intenção de alcançar «pessoas destituídas de estudos», conferindo à obra um carácter pedagógico e divulgativo.
Páginas preliminares com dedicatória a D. Gaspar de Bragança, prólogo do autor, licenças do Santo Ofício, Ordinário e Paço, errata e índice de matérias.
Manuel Álvares de Queiroz (Vila Nova de Gaia, 1739 – 1777) foi presbítero da Congregação do Oratório do Porto, da qual viria a sair, retomando então o apelido de família. Publicou também «História da Criação do Mundo» (Porto, 1762), elogiada na «Gazeta Literária» como «uma das boas na Europa». Segundo Inocêncio, desconhecem-se dados pormenorizados sobre a sua naturalidade e óbito.
Ref.:
Catálogo BNP, Cota: S.A. 952 P.
Inocêncio V, 352-353, n.º 64.