RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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HERCULANO. (Alexandre) e António Caetano Pereira POLÉMICA DE OURIQUE E PROPRIEDADE LITERÁRIA. [VOLUME COM 5 OBRAS]

Este volume reúne as seguintes obras: 

I. - HERCULANO. (Alexandre) DA PROPRIEDADE LITTERARIA E DA RECENTE CONVENÇÃO COM FRANÇA. Carta ao Senhor Visconde d’Almeida-Garrett. Por A. Herculano. Imprensa Nacional. Lisboa. 1851.

II. - HERCULANO. (Alexandre) A BATALHA D’OURIQUE E A SCIENCIA ARABICO-ACADEMICA. Carta ao Redactor da Semana por A. Herculano. Imprensa Nacional. Lisboa. M DCCC LI [1851].

III. - PEREIRA. (António Caetano) A CONFIRMAÇÃO DO EXAME HISTORICO SOBRE A BATALHA DE OURIQUE OU A REFUTAÇÃO A TODOS OS ARTIGOS DO SR. A. HERCULANO transcriptos no jornal — A Semana — desde n.º 9 a 13. Por Antonio Caetano Pereira. Typographia da Revista Popular. Lisboa. 1851.

IV. - PEREIRA. (António Caetano) EXAME HISTORICO EM QUE SE REFUTA A OPINIÃO DO SR. A. HERCULANO SOBRE A BATALHA DE CAMPO DE OURIQUE a que elle chama jornada ou correria e afirma que de um tal facto não existe vestigio algum nos historiadores arabes. Offerecido a todos os Portuguezes amantes da gloria nacional por A. C. P. Imprensa Nacional. Lisboa. 1851.

V. - PEREIRA. (António Caetano) COMMENTARIO CRITICO SOBRE A ADVERTENCIA DO 4.º VOLUME DA HISTORIA DE PORTUGAL DE A. HERCULANO E Carta Annexa de Pasqual de Gayangos. Por Antonio Caetano Pereira. Imprensa Nacional. Lisboa. 1853.

De 22x14 cm. Com 34; 30; 24; 27, [iii]; 104 págs. Encadernação da época com lombada em pele decorada com ferros a ouro.

Ilustrado com uma estampa litográfica de página inteira no final do Exame Historico, reproduzindo excertos de manuscritos árabes relativos à Batalha de Ourique.

Exemplar com pequenas marcas de desgaste nas pastas e leves picos de acidez em algumas folhas. 

Volume único que reúne as primeiras edições dos cinco principais opúsculos da célebre polémica de Ourique e da questão da propriedade literária travada por Alexandre Herculano entre 1851 e 1853. A reunião destas obras num único volume, encadernado na época, representa um acto deliberado de coleccionismo intelectual por parte de um contemporâneo que reconheceu a unidade temática destes textos, constituindo um «dossiê» histórico insubstituível que testemunha a transição do Antigo Regime intelectual para o Liberalismo Científico.

Os dois primeiros opúsculos são da autoria de Herculano. O primeiro, dirigido ao Visconde de Almeida Garrett, surge no contexto da Convenção Literária com a França. Garrett, romântico e defensor do 'génio', pugnava por direitos de autor fortes e perpétuos (ou longos). Herculano, pragmático e preocupado com a instrução pública, via na 'propriedade literária' um monopólio artificial que encarecia os livros. Mais importante ainda, Herculano defendia a indústria tipográfica portuguesa que, na época, dependia largamente da contrafação e da tradução livre de livros franceses. A Convenção com a França, ao proibir essas práticas, ameaçava arruinar o setor livreiro nacional em benefício dos editores de Paris. O segundo opúsculo é uma resposta demolidora dirigida ao professor de árabe António Caetano Pereira, que pretendera refutar a interpretação crítica de Herculano sobre a Batalha de Ourique recorrendo a supostas fontes árabes. Ataca também a Academia Real das Ciências (que satiriza no próprio título «Sciencia Arabico-Academica»), por albergar eruditos de gabinete que produziam ciência de má qualidade, protegidos pelo corporativismo académico.

Os opúsculos restantes são a resposta de Pereira. O Exame Historico, assinado apenas com as iniciais «A. C. P.», inclui uma estampa litográfica com excertos de manuscritos árabes que alegadamente comprovariam a dimensão épica da batalha. A Confirmação responde ponto por ponto aos artigos de Herculano publicados no jornal A Semana. O Commentario Critico, o mais extenso dos textos de Pereira, analisa a advertência do 4.º volume da História de Portugal e inclui em anexo uma carta do arabista espanhol Pascual de Gayangos, a maior autoridade europeia da época em estudos árabes, invocado por Pereira como árbitro da contenda.

A polémica de Ourique (1850-1853) foi o episódio mais violento da recepção da História de Portugal de Herculano. Ao negar a historicidade do Milagre de Ourique — a aparição de Cristo a D. Afonso Henriques — por falta de fontes coevas credíveis, Herculano abalou os alicerces da identidade nacional tradicional e da Igreja Católica Portuguesa. O clero conservador atacou Herculano como herege. Vários opúsculos foram escritos sobre esta matéria, nomeadamente os textos sob a epígrafe «Eu e o Clero». António Caetano Pereira, professor de árabe, tentou atacá-lo no terreno da erudição, alegando que fontes árabes (que Herculano supostamente desconhecia ou ignorava) confirmavam a tradição. Os estudos posteriores de David Lopes demonstraram que Pereira manipulara textos e citara incorrectamente as fontes árabes, confirmando a intuição crítica de Herculano. Este volume documenta, assim, não apenas uma das grandes polémicas intelectuais do século XIX português, mas também um caso exemplar de fraude académica posteriormente desmascarada.

Alexandre Herculano (Lisboa, 1810 – Vale de Lobos, 1877) foi historiador, romancista e poeta, figura cimeira do Romantismo português. Bibliotecário da Real Biblioteca da Ajuda, foi autor da História de Portugal (4 vols., 1846-1853) e de Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854-1859). A polémica de Ourique levou-o a abandonar a História de Portugal no reinado de D. Afonso III, desgostoso com a reacção clerical e académica.

António Caetano Pereira (Lisboa?, 1799 – Lisboa?, 1867) foi professor de Retórica, Poética e Língua Árabe no Liceu Nacional de Lisboa e sócio correspondente da Academia Real das Ciências. Conhecido sobretudo pelas polémicas contra Herculano, a sua reputação foi severamente danificada pelos estudos de David Lopes, que expuseram as suas limitações como arabista e a manipulação de fontes.

Pascual de Gayangos y Arce (Sevilha, 1809 – Londres, 1897) foi erudito e orientalista espanhol, professor de Árabe na Universidade de Madrid e autor da tradução de al-Maqqari (History of the Mohammedan Dynasties in Spain, 1840-1843). A sua carta, incluída no Commentario Critico, mantém uma prudente ambiguidade diplomática, não validando explicitamente as interpretações de Pereira.

Referências:
Nery, Antonio Augusto e Eduardo Soczek Mendes. “Repensar Portugal”: Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Eduardo Lourenço. Homenagem a Eduardo Lourenço. Volume 16, Número 31. Jan/Jul 2024.
Anselmo, Artur. O espírito polémico de Herculano na defesa do património espiritual. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa. Classe de Letras. Tomo XL, Volume II. 2019.
Lopes, David. Alexandre Herculano, António Caetano Pereira e a Batalha de Ourique, estudo crítico. Lisboa: Imprensa Nacional, 1900.
Inocêncio, II, 243-245, n.º 20; XXI, 409-684.


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Referência: 2512SB016
Local: SACO SB271-18


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