RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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RESENDE. (Garcia de) CHRONICA DOS VALEROSOS, E INSIGNES FEITOS DEL REY DOM IOAM II.

DE GLORIOSA MEMORIA, Em que se refere sua Vida, suas Virtudes, seu Magnanimo Esforço, Excellentes Costumes, e seu Christianissimo Zelo, PER GARCIA DE RESENDE, Com outras Obras que adiante se seguem, e vay acrescentada a sua Miscellania, À Feliz Memoria do Mesmo Rey DOM IOAM SEGVNDO, qve está em gloria. COIMBRA: Na Real Officina da Universidade. Anno de MDCCLXXXXVIII [1798]. Com Licença da Mesa do Desembargo do Paço.

De 21x15 cm. Com xxxii, 382 págs. Encadernação da época inteira de pele com rótulo e ferros a ouro na lombada. Guardas decorativas. Cortes das folhas mosqueados a azul-esverdeado.

Impressão em papel de qualidade em caracteres redondos e alguns itálicos. Texto da Miscellania disposto em duas colunas.

Exemplar com falhas de pele e danos por insectos bibliófagos nas pastas e na lombada. Apresenta vestígios de etiqueta com número de cota na lombada. Assinatura de Manuel d’Almeida e anotação a lápis «3.a ed.» na folha de rosto. Ex-libris na pasta anterior, onde se lê: «Sou da Casa Marialva», «Dom Diogo»; e com a data de 1982, gravado por Paes Ferreira e desenhado por Luiz Ferros.

Edição estimada da crónica de Garcia de Resende, impressa na Real Officina da Universidade de Coimbra no final do século XVIII. Corresponde à sétima edição da obra, segundo Inocêncio Francisco da Silva, que observa ter sido feita sobre a de 1622. A obra foi publicada num momento em que a Universidade de Coimbra, reformada sob o impulso pombalino, procurava conciliar a modernização científica com a valorização da memória histórica nacional.

Páginas preliminares com taxa, soneto de André Falcão de Resende (parente de Garcia), dedicatória do impressor António Álvares ao rei D. João II, prefácio ao leitor, um resumo da vida do rei com o título «Virtudes, feições, costumes, e manhas del Rey Dom Ioam o Segundo, que Santa Gloria Aja» e índice de capítulos. A partir da página 335 inclui a célebre «Miscellania de Garcia de Resende e variedade de historias, costumes, casos, e cousas que em seu tempo aconteceram», que constitui fonte primária para a história dos costumes e da vida quotidiana portuguesa na transição do século XV para o XVI. Última página com emendas.

A Crónica de D. João II é obra capital da historiografia portuguesa quinhentista, redigida por Garcia de Resende a partir da sua experiência como moço de câmara e secretário privado do monarca. Publicada pela primeira vez em 1545, já depois da sua morte, a narrativa constrói a imagem de D. João II como «Príncipe Perfeito», arquétipo do governante absoluto moderno, narrando episódios centrais como a execução do Duque de Bragança, o assassinato do Duque de Viseu pelas mãos do próprio rei e os preparativos das viagens de descobrimento. A crítica bibliográfica oitocentista, nomeadamente Alexandre Herculano, demonstrou que Resende se apropriou largamente da crónica manuscrita de Rui de Pina, então inédita na Torre do Tombo, transformando-a numa narrativa literária e cortesã que formou a imagem histórica de D. João II durante três séculos.

A transmissão textual desta crónica é marcada pela progressiva intervenção censória. A edição princeps de 1545 contém o texto integral da crónica acompanhado de textos religiosos. Em 1554, a segunda edição impressa em Évora por André de Burgos suprime os textos espirituais e publica pela primeira vez a «Miscelânea», poema em redondilha maior que Resende havia redigido entre 1530 e 1533 e que permanecera inédito. A inclusão na edição eborense, acompanhada de um soneto laudatório de André Falcão de Resende, sugere envolvimento familiar na preservação da sua memória literária.

À medida que a Contra-Reforma se instalava, a liberdade de crítica social presente na Miscellania tornou-se problemática: a edição de 1622 assinala a mutilação do texto, com a supressão de estrofes que continham críticas ao clero e à cúria romana. Paradoxalmente, a presente edição de 1798, embora produzida num contexto iluminista, não recorreu aos manuscritos originais nem à edição de 1545, perpetuando as lacunas seiscentistas. Para o coleccionador erudito, estas falhas textuais constituem pontos de interesse histórico, evidenciando como a memória de D. João II foi gerida e filtrada ao longo dos séculos.

O ex-libris na pasta anterior atesta a pertença do exemplar à biblioteca de D. Diogo de Bragança (1930-2012), 8.º Marquês de Marialva. Cavaleiro e bibliófilo de renome, D. Diogo reuniu ao longo da vida uma notável colecção de obras sobre arte equestre e história portuguesa, cujo núcleo principal foi adquirido em 2014 pela Parques de Sintra e se encontra hoje instalado no Palácio Nacional de Queluz.

Garcia de Resende (Évora, ca. 1470 – Évora, 1536) foi cronista, poeta e músico ao serviço da corte portuguesa. Moço de câmara de D. João II, passou em 1490 para o serviço do Príncipe D. Afonso, regressando após a morte deste ao cargo de moço da escrivaninha do rei. Nomeado em 1514 secretário da embaixada a Roma chefiada por Tristão da Cunha, deixou vasta obra literária, destacando-se o Cancioneiro Geral (1516), colectânea fundamental da poesia palaciana portuguesa quatrocentista.

Referências:
Catálogo BNP. Cota: H.G. 5563 P.
André Falcão de Resende - Imprensa Nacional [em linha]
Luís, Nuno Castro. «O último Marquês de Marialva — um embaixador na Europa de Viena». História. Revista da FLUP, Porto, IV Série, vol. 5, 2015, pp. 37-52.
Spaggiari, Barbara. Camões e Falcão de Resende. Humanitas, 57, 2005, pp. 403-429.
Livraria de Luciano Pereira da Silva (1864-1926), RE.13.25.
Inocêncio III, 118-121, n.º 40.


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Referência: 2512SB014
Local: SACO SB271-11


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