RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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GOLDSMITH. (Lewis) MEMOIRS OF C. M. TALLEYRAND DE PERIGOD,

One of Buonaparte"s Principal Secretaries of State, his Grand Chamberlain, and Grand Officer of the Legion of Honour. Ex-Bishop of Autun, Ex-Abbé of Celles and St. Dennis, &c. &c. By the author of The Revolutionary Plutarch. In Two Volumes. Vol. I [II]. Second Edition. Printed for J. Murray, Fleet-Street; and J. Harding, St. James"s-Street. London. 1806.

2 Volumes de 17x11 cm. Com xx, 420; [iv], 386, [ii] págs. Encadernaçãos com lombadas em pele, com rótulos e ferros a ouro. Cortes das folhas mosqueados a azul

Ilustrado com retrato oval de Talleyrand, gravado em face da folha de rosto do primeiro volume, da autoria de Samuel Freeman que o executou em técnica de pontilhado

Folha de rosto com epígrafe de Edward Young: «When men through infamy to grandeur soar, They light a torch to shew their shame the more». 

Segunda edição rara, surgida apenas um ano após a primeira de 1805, publicada no momento de maior poder de Talleyrand, que acabara de ser nomeado Príncipe de Benevento em Junho de 1806. Ausente da British Library e da BNF A primeira edição foi publicada sobre o pseudónimo «Stewarton», sendo hoje atribuído a Lewis Goldsmith. 

Obra fundamental de propaganda anti-napoleónica britânica, de elevada qualidade editorial, destinada a desacreditar
moralmente um dos principais ministros de Napoleão - Talleyrand-Périgod. Para investigadores de história cultural e política, a obra constitui uma fonte primária da forma como a Grã-Bretanha construía a imagem dos líderes napoleónicos para audiências anglófonas, além de exemplificar as refinadas técnicas de propaganda usadas durante as guerras revolucionárias e napoleónicas, que se tornaram ferramentas standard da propaganda moderna. Finalmente, a obra documenta o extraordinário fenómeno de Lewis Goldsmith como agente duplo literário, publicando propaganda anti-napoleónica em Londres enquanto ainda nominalmente ao serviço de Napoleão em Paris. As autênticas memórias de Talleyrand foram escritas pelo próprio a partir de 1816 e publicadas postumamente em 1891-1892, várias décadas após a sua morte em 1838.

Páginas preliminares com dedicatória satírica a Talleyrand assinada «The Compiler» e prefácio. Segundo volume com apêndice epistolar, a partir da página 367, coligindo um conjunto de cartas que teriam sido originalmente escritas em francês e cuja tradução consta desde a página 400 do primeiro volume, intitulado: «Letters from the Baroness de S*** to Monsieur Talleyrand». Inclui nas páginas finais não numeradas um catálogo de obras do editor. 

A obra trata-se de uma biografia hóstil disfarçada de memória, usando várias técnicas literárias como arma política: uso de biografia aparentemente objetiva para veicular condenação moral; inclusão de "documentos" (as cartas da Baronesa) para simular autenticidade; epígrafes clássicas para conferir autoridade ética; dedicatórias satíricas para ridicularizar o sujeito; e ênfase em escândalos sexuais e financeiros para deslegitimar conquistas políticas. A apresentação bilingue, com um apêndice das ditas cartas em francês, demonstra uma construção editorial cuidada. 

Algumas especulações académicas apontaram vagamente para Germaine de Staël (1766-1817), a famosa escritora e salonista que conheceu Talleyrand, mas ela era baronesa de Staël-Holstein, não simplesmente "de S***", e não há evidência de correspondência amorosa entre ambos — as suas relações eram intelectuais e políticas, não românticas. Mais provavelmente,
trata-se de compósito inteiramente fictício ou alusão vaga a múltiplas amantes de Talleyrand (como Madame de Staël, a Condessa de Flahaut, ou outras), permitindo ao autor inventar cartas que atribuíam a Talleyrand toda a sorte de intrigas e imoralidades.

O propósito destas cartas fabricadas era triplo: conferir aparência de autenticidade documental à obra através de "provas" primárias; satisfazer o apetite do público britânico por escândalos sexuais da elite francesa; e desacreditar moralmente Talleyrand apresentando-o não apenas como político corrupto mas também como libertino imoral. Esta técnica de falsificação epistolar era comum na literatura política do período, explorando a autoridade cultural da carta como género confessional e íntimo.

A parceria editorial Murray-Harding conferia credibilidade aos panfletos sensacionalistas. John Murray II assumira o controlo da editora em 1803 e desenvolveu uma linha editorial anti-revolucionária, publicando "The Revolutionary Plutarch" em 1804 como primeira obra de importância. J. Harding, estabelecido em St. James's Street no bairro aristocrático londrino, garantia distribuição junto da elite. A produção tipográfica profissional, com papel de qualidade e a inclusão de retratos gravados por Freeman, diferenciavam a obra de libelos baratos, posicionando-a como biografia séria capaz de circular em bibliotecas de cavalheiros, ainda que o conteúdo fosse um ataque político virulento.

Lewis Goldsmith (Londres, c.1763 - Paris, 1846) foi publicista anglo-francês de ascendência judaico-portuguesa e oportunista político de primeira ordem. Inicialmente republicano entusiasta da Revolução Francesa, mudou-se para Paris em 1802 onde foi apresentado a Napoleão pelo próprio Talleyrand, trabalhando entre 1802-1807 ao serviço do imperador publicando "The Argus, or London reviewed in Paris". A componente mais fascinante é que iniciou jogo duplo já em 1804-1805, publicando em Londres sob pseudónimo "Stewarton" esta biografia hostil e "The Revolutionary Plutarch" enquanto ainda nominalmente ao serviço de Napoleão. Por volta de 1809 regressou definitivamente a Inglaterra, transformando-se no mais virulento propagandista anti-napoleónico através do jornal "The Anti-Gallican Monitor" (1811) e obras como "Secret History of the Cabinet of Bonaparte" (1810-1811).

Samuel Freeman (Londres, 1773 – Londres, 1857) foi gravador londrino especializado em retratos executados em técnica de pontilhado, formado sob Francesco Bartolozzi. A cronologia do retrato de Talleyrand nesta edição de 1806 levanta questão intrigante, pois Freeman é geralmente registado como iniciando trabalho independente a partir de 1807, sugerindo que esta seria uma obra muito precoce, executada ainda como aprendiz. A sua carreira subsequente foi prolífica, com a National Portrait Gallery associando-lhe 81 retratos, tendo trabalhado em séries prestigiadas como a National Portrait Gallery de Fisher, a National Gallery de Jones e a Northern Gallery de Thomas Frognall Dibdin. Foi um gravador competente e comercialmente bem-sucedido do comércio editorial londrino.

Ref.:

HathiTrust Digital Library, Record 100720961.

Worldcat, OLCL: 11270516

age-of-the-sage-org historical biography talleyrand [em linha]

The Jewish Encyclopedia 6, p. 32


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Referência: 2511SB003
Local: SACO SB264-08


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