RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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DELISLE DE SALES. (Jean-Baptiste-Claude) DE LA PHILOPHIE DU BONHEUR.

Ouvrage Recueilli et Publié par l’Auteur de la Philosophie de la Nature. TOME I. [TOME II]. A PARIS. 1796.

2 Volumes de 20x13 cm. Com xcvi, 181, [iii]; [ii], 247, [i] págs. Encadernação da época inteira de pele, com rótulo e ferros a ouro na lombada. Cortes das folhas pintados com cores desvanecidas.

Ilustrado com 7 calcogravuras em extratexto sobre papel mais encorpado. No primeiro volume: frontispício alegórico com dois anjos ladeando o título da obra e retrato do autor em medalhão oval enquadrado por ornamentos alegóricos (penas, lira, pombos, flores), desenhado por Antoine Borel e gravado por Pierre Duflos le Jeune, com legenda e quarteto de versos. No segundo volume: o mesmo frontispício alegórico, bustos de Homero, Sócrates e Marco Aurélio, desenhados por Eugène-Claude Préaudeau de Chemilly e gravados por Charles-François-Adrien Macret, além de duas gravuras representando cenas alegóricas relacionadas com a filosofia da felicidade (páginas 88 e 169).

Impressão em caracteres redondos sobre papel de qualidade, com simples elementos tipográficos em algumas páginas. 

Exemplar com pequenas falhas de pele na lombada e ocasionais manchas de oxidação.

Primeira edição rara desta obra filosófica fundamental, publicada no Ano IV da República (1796), após o autor ter sobrevivido à prisão em Sainte-Pélagie, durante o Terror de Robespierre, representando uma afirmação do direito à investigação filosófica num período de estabilização política após a amnistia de 26 de outubro de 1795. A turbulência do período revolucionário limitou a tiragem e a consequente taxa de sobrevivência dos exemplares publicados nesta época, contribuindo assim para a raridade desta edição. Foi publicada uma edição expandida em 1800 pelo editor Moutardier, que inclui uma longa introdução onde se detalham ambas as prisões do autor. 

Primeiras páginas não numeradas do primeiro volume com epístola a Eurídice, tradução livre da ode alegórica de Horácio ao seu navio, e prefácio do autor. Índice de capítulos nas últimas páginas não numeradas de cada volume.

A obra desenvolve uma teoria da felicidade estruturada em três níveis — os sentidos (primeira porta da alma), o entendimento (segunda porta), e a virtude (grau mais elevado) — continuando o projeto iluminista de uma moralidade natural baseada em Locke e Descartes. Publicada durante o período moderado do Diretório (1795-1799), surge num contexto de reconstrução intelectual e institucional após o Terror. Delisle de Sales, nomeado em 1795 para o Institut National des Sciences et des Arts, procurava reconstruir a sua reputação e retomar o trabalho filosófico. A ênfase na harmonia social e no governo racional, entre o despotismo e a anarquia, constitui uma crítica implícita aos extremismos revolucionários mantendo os princípios filosóficos do Iluminismo. 

A aclamação contemporânea foi notável, com elogios do filósofo Chastellux (membro da Academia Francesa e autor de De la félicité publique) e do conde de Tressan e d"Alembert. Apesar da ausência de originalidade filosófica propriamente dita, Delisle funcionou como ponto de confluência de grandes correntes iluministas (primitivismo, orfismo, pitagorismo), o que explica simultaneamente a sua popularidade na época e o posterior esquecimento — obras derivativas raramente sobrevivem ao teste do tempo, embora sejam essenciais para compreender a disseminação de ideias no século XVIII.

Jean-Baptiste-Claude Delisle de Sales, também conhecido como Jean-Baptiste Isoard de Lisle (Lyon, 1741 – Paris, 1816), foi filósofo, historiador e escritor francês que sobreviveu à perseguição da monarquia absoluta e do Terror revolucionário. Após ensinar com os Oratorianos em Riom e Nantes até 1768, estabeleceu-se em Paris acumulando uma biblioteca notável de 36.000 volumes. A publicação de «De la Philosophie de la Nature» (1770), obra que propunha 140.000 anos para a idade da Terra e defendia o materialismo, levou à sua condenação a banimento perpétuo em 1777. Voltaire visitou-o na prisão, contribuiu com 480 a 500 libras para a defesa e mobilizou os filósofos iluministas, conseguindo que o tribunal superior reduzisse a pena a simples advertência a 14 de maio de 1777. Voltou a ser preso em 1794 por causa do romance filosófico «Éponine, ou de la République» (1793), sendo libertado a 27 de julho no próprio dia da queda de Robespierre. Publicou 83 obras ao longo da vida, abrangendo filosofia, história, teatro e romances políticos.

Antoine Borel (Paris, 1743 – Paris, 1810) foi pintor, desenhista e gravador especializado em temas alegóricos e ilustração de livros. Nos anos 1790 destacou-se pelas ilustrações patrióticas revolucionárias e colaborações em obras como o «Théâtre des Grecs» (1785-1789) e as «Œuvres de Regnard» (1790).

Pierre Duflos le Jeune (Lyon, 1742 – Paris, 1816) foi gravador pertencente a uma dinastia de gravadores que incluía o avô Claude Duflos (1665-1727) e o pai Nicolas-Simon Duflos (c. 1704-1761). Especializou-se em gravura em cobre e produziu centenas de pranchas, destacando-se o «Recueil d'estampes représentant les grades, les rangs et les dignités» (1780).

Eugène-Claude Préaudeau de Chemilly (Paris, 1738 – S.l., 1797) foi funcionário público, agricultor e artista amador que desenvolveu talentos como desenhador e gravador, tendo sido recebido amador honorário na academia de Marselha em 1764.

Charles-François-Adrien Macret (Abbeville, 1751 – Paris, 1783) foi desenhador e gravador que se formou inicialmente em gravura heráldica antes de trabalhar com gravadores parisienses, assinando as suas obras como Macret, C. Macret ou C.F. Macret.

Ref.: 

Catalogue BnF, Notice: FRBNF33537193 (ark:/12148/bpt6k953496 e ark:/12148/bpt6k95354s)

Malandain, Pierre. Delisle de Sales philosophe de la nature (1741-1816). Studies on Voltaire and the Eighteenth Century, Volumes 203-204. Oxford: The Voltaire Foundation, 1982. 791 pp. [Recensões por Geoffrey Bremner (The Modern Language Review, Vol. 79, No. 2, 1984, pp. 456-457) e Adrienne D. Hytier (Diderot Studies, Vol. 22, 1986, pp. 192-195)]

 


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