RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

     
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GUIA DE PORTUGAL [1.ª edição completa].

Biblioteca Nacional de Lisboa e Fundação Calouste Gulbenkian. 1924-1970.

7 volumes de 17x11,5 cm. Com lxiv, 672, [xv]; xxxix, [iii], 697, [iv]; lv, [i], 1006, [i]; xxxix, [i], 703; xxx, [ii], 705-1331, [vi]; xxx, [ii], 514, [i]; xxxi, [i] 515-1086, [ii] págs. A numeração é seguida nos volumes 4-5 e 6-7.

Encadernações dos editores, com ferros a ouro na lombada e nas pastas. Apresentam os cortes das folhas carminados. Profusamente ilustrados no texto e em extratexto, sobre papel couché ou folhas desdobráveis, com fotografias, plantas e mapas.

Exemplar do 1.º volume com assinatura de posse manuscrita na folha de guarda anterior. O mapa desdobrável de grandes dimensões de título «4.ª planta de Lisboa - 5.º e 6.º itinerários» encontra-se solto, devido a um rasgo. 

1.º volume - Generalidades - Lisboa e Arredores. Colaboração dos mais ilustres escritores portugueses. Com 15 mapas e plantas e numerosas gravuras. Biblioteca Nacional de Lisboa. 1924.

2.º volume - Extremadura, Alentejo, Algarve. Colaboração dos mais ilustres escritores portugueses. Com 17 mapas e plantas e numerosas gravuras. Biblioteca Nacional de Lisboa. 1927.

3.º volume - Beira Litoral, Beira Baixa e Beira Alta. Colaboração dos mais ilustres escritores portugueses. Com 20 mapas e plantas e numerosas gravuras. Biblioteca Nacional de Lisboa. 1944.

4.º Volume (dois tomos) - Entre Douro e Minho. Tomo I-Douro Litoral. Tomo II-Minho. Fundação Calouste Gulbenkian. 1964/65. 

5.º volume (2 tomos) - Trás-os-Montes e Alto-Douro Tomo I-Vila Real, Chaves e Barroso. Tomo II-Lamego, Bragança e Miranda. Fundação Calouste Gulbenkian. 1969/70.

Em 1924, num tempo português muito conturbado, feito de intensas lutas políticas e grandes movimentações sociais, com a Ditadura Militar a germinar no espaço que lhe abriam para despontar dois anos depois, Raul Proença, acompanhado dos melhores escritores do seu tempo, deitou mãos à empresa de editar um Guia de Portugal que iria ficar para a história e preencher o imaginário de gerações de portugueses, com reedições sucessivas ao longo de décadas.

Concebido entre a 1ª República e os inícios do golpe militar de 28 de maio de 1926, que deu origem ao regime ditatorial vigente em Portugal até 1974, o Guia de Portugal surgia numa altura de crescente atenção ao turismo. Mais tarde, chega a ser recomendado pela Repartição de Turismo e pela Sociedade de Propaganda de Portugal.

Proença quis ter do seu lado, não só os melhores escritores, como os melhores especialistas em história de arte, geografia física e humana, arqueologia, etnografia ou antropologia. Entre os convidados para o volume de estreia estão Aquilino Ribeiro, António Sérgio, Reinaldo dos Santos, a que se juntam inúmeros textos do próprio coordenador, bem como de Afonso Lopes Vieira, Jaime Cortesão, José de Figueiredo, Câmara Reis, Teixeira de Pascoaes, Júlio Dantas, Orlando Ribeiro, Oliveira Ramos ou Raul Lino, autor da imagem gráfica do projeto e um dos mais importantes arquitetos da época.

No segundo volume continuam a colaborar alguns dos que já apareciam na estreia, aos quais se juntam, entre outros, Hernâni Cidade, José Rodrigues Miguéis, Sarmento de Beires ou Teixeira de Sampaio. O prefácio é assinado por Raul Proença, agora já na qualidade de "ex-chefe dos serviços técnicos da Biblioteca Nacional". O regime tinha-o, entretanto, "demitido das funções que ocupava desde 1911".

Após a publicação dos dois primeiros volumes, a obra entra num hiato, sendo apenas retomada após a morte de Raúl Proença em 1941. O escritor, bastante activo na esfera política e um dos fundadores da Seara Nova, participara em Fevereiro de 1927 numa fracassada sublevação constitucionalista contra o novo regime, o que acaba por o levar ao exílio em Paris. Durante esta época, Raúl manifestou perturbações mentais notáveis e face a dificuldades crescentes regressou a Portugal, em 1932, sendo de pronto internado no Hospital do Conde de Ferreira. Submeteu-se, pouco depois, à experiência neuro-cirúrgica recém-inventada pelo Prof. Egas Moniz e executada pelo Prof. Almeida Lima, uma Leucotomia Pré-frontal.

O terceiro volume é publicado apenas em 1944, em plena ditadura Salazarista. Tem ainda o carimbo da Biblioteca Nacional, mas Raul Proença já morrera três anos antes, não tendo registado melhoras após a intervenção cirúrgica. O «3.º vol. do Guia de Portugal [surge] a quási 20 anos de distância do 1.º e do 2.º, e sob a responsabilidade literária não já de Raúl Proença, mas de um núcleo de amigos seus, representados perante a Biblioteca Nacional» (cf. Prefacio de Sant"anna Dionísio, 1944). Mais tarde, o próprio Dionísio questiona: «quem poderia esperar de um homem de pensamento a realização de uma obra desta natureza, radicalmente fatídica?».

Os 4.º e 5.º volumes passam a ser subsidiados pela Fundação Calouste Gulbenkian. «Estamos finalmente, de novo, em presença da continuação da obra iniciada há quarenta anos por Raul Proença.[...] Um homem de rara envergadura mental e excepcionais capacidades de trabalho, vencido pela doença, precisamente naquela quadra de maturidade e de força em que poderia levar a cabo tão estranho empreendimento - e, no fim explicá-lo.[...] Graças à generosa iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, e particularmente à esclarecida vontade de quem a dirige, o trabalho do Guia de Portugal, suspenso desde 1945, pôde ser retomado, pondo-se termo à inaceitável suspensão de uma obra que toda a gente reconhecia e reconheçe ser de interesse público» (cf. Prefácio de Sant"anna Dionísio, 1964/69).

Vale por fim notar que os 4.º e 5.º volumes são ambos divididos em dois tomos: «De início previa-se que a descrição do Norte do País constituiria o 4.º vol. do Guia de Portugal. Verificou-se, porém, no decorrer dos trabalhos tipográficos, que esse vol. excederia, e muito, as mil páginas. Daí a decisão tomada do seu desdobramento, embora mantendo-se, por força do que já estava impresso, a paginação contínua». (cf. 4.º volume, 1964); «A grandeza de Trás-os-Montes, de mãos dadas com a gigantesca envergadura do Alto-Douro, levou este vol. para além do tamanho previsto» (cf. 5.º volume, 1969).

Referência: 2001SB117
Local: I-195-E-2


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