RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
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CATECHISMO ROMANO DO PAPA PIO QVINTO DE GLORIOSA MEMORIA.

Nouamente tresladado de latim em lingoagem por mandado do Illustrissimo, & Reuerendissimo Senhor Dõ Miguel de Castro Metropolitano Arcebispo de Lisboa, &c. Cõ licença da mesa geral do Sancto Officio, E PRIVILEGIO REAL. Impresso em Lisboa, por Antonio Aluarez impressor. Anno 1590 Acharse ha em casa de João Lopez liureiro do Senhor Arcebispo. Taxado a [em branco] em papel.

In 8º de 19,2x13 cm. Com [iii], 402 fólios. Encadernação do século XIX com lombada em pele, com rótulo vermelho e ferros a ouro, pastas e folhas de guarda em papel decorativo

Folha de rosto impressa a vermelho e preto com o brasão do Arcebispo de Lisboa, ao centro. A folha dois é também impressa a vermelho e preto na frente e no verso. O texto tem os títulos dos capítulos enquadrados por camarões e por vinhetas em forma de mão, apresenta iniciais decoradas com motivos vegetalistas e tem um ornamento no fim do texto do Proemio, no fólio 8 frente, e um florão de remate no fólio 324 frente.

Exemplar com anotações bibliográficas a lápis no verso da folha de guarda, sem o valor da taxa manuscrito no pé da folha de rosto como têm outros exemplares, com a terceira folha encadernada ao contrário, tendo no verso em branco, que passou a ser a frente, um pequeno índice manuscrito em caligrafia do século XVII. Apresenta pequenas falhas de papel nas margens das folhas sem nunca atingir a mancha tipográfica e pequenos rasgões nas margens, muitas vezes com reforços constituídos por pequenos pedaços de papel. Nas margens de diversas folhas tem anotações manuscritas em latim em caligrafia do século XVII, assinalando os passos da Sagrada Escritura que são citados no texto. Com assinatura do Provisor do Arcebispado, em letra coeva no pé da frente da folha 402, conforme determinado na Provisão do Arcebispo de Lisboa. 

As folhas preliminares contêm o Privilégio de 2 de Novembro de 1589, a Provisão de D. Miguel de Castro, Arcebispo de Lisboa de 5 de Outubro de 1589, aprovação de Frei Bartolomeu Ferreira, o célebre revisor da Inquisição que aprovou a primeira edição dos Lusíadas, e licenças de 25 de Setembro de 1589 e de 25 de Abril de 1590. A última folha tem o verso em branco.

Primeira edição raríssima pois, além de existirem poucos exemplares em bibliotecas e aparecerem poucas vezes à venda, alguns dos exemplares tinham defeitos graves como o do Catálogo Azevedo e Samodães com falta de duas folhas e o que Pinto Matos viu com falta da folha de rosto. Foi feita nova edição em 1783 e depois em 1817 e ainda uma outra em 1849 com nova tradução do Padre Domingos Lopes da Costa e Cruz.

O tradutor da edição latina publicada em 1566  (CATECHISMVS, Ex Decreto Concilii Tridentini, Ad Parochos, Pii Quinti Pont. Max. Ivssv editvs. Romae, In aedibus Populi Romani, apud Paulum Manutium, MDLXVI) foi Cristovão de Matos, Provisor do Arcebispado de Lisboa, cujo nome não consta da folha de rosto nem em outras partes da obra, mas que é referido na aprovação de Frei Bartolomeu Ferreira. A tradução é considerada um modelo do português clássico ao nível da prosa dos grandes escritores seus contemporâneos. O catecismo contém um Proémio e quatro partes: Os Artigos da Fé, Os Sacramentos, Os Mandamentos e a Oração.

Obra de extraordinário valor e grande importância para o estudo da recepção em Portugal das decisões do Concílio de Trento, nomeadamente nos aspectos que marcavam a condenação das ideias das igrejas protestantes sobre os sacramentos e sobre o poder do Papa. O seu continuado uso (que fica patente pelo escasso número de exemplares que chegaram aos nossos dias) exerceu grande influência, em Portugal, nas formas de vivência da religião católica marcada pela fidelidade ao Papa como chefe de uma Igreja centralizada e que concomitantemente pressupunha o reforço dos poderes e da imagem dos Bispos.

A tradução em português foi feita para cumprir as determinações do Concílio de Trento, para dar uma grande difusão à doutrina contida nesta obra e para uso dos eclesiásticos do Arcebispado de Lisboa. O Arcebispo D. Miguel de Castro, na sua provisão, determina que todas as Igrejas da sua diocese deverão ter um exemplar desta obra e prevê as punições para os eclesiásticos que não cumprirem essa decisão. Determina igualmente que os eclesiásticos devem explicar o conteúdo do catecismo aos fiéis. Numa sociedade em que só seis por cento das pessoas sabia ler, a transmissão oral dos conhecimentos era determinante para a grande divulgação das obras escritas, para a formação e educação dos habitantes de cada país e para assegurar a preservação da integridade religiosa do Reino, no tempo da divisão da Igreja entre católicos e protestantes.

D. Miguel de Castro (Évora, 1536-1625), irmão do 1º Conde de Basto, fez uma carreira ascendente muito rápida. Doutorado em Teologia (Coimbra, 1550), iniciou a sua carreira na Inquisição em 1556 e passou a deputado do Conselho Geral em 1567, amparado pelo Cardeal D. Henrique. Foi bispo de Viseu (1579-1586) e mais tarde chegaria a arcebispo de Lisboa (1586), cargo que manteve até morrer. Além da presente obra mandou publicar a reimpressão das Constituições do Arcebispado de Lisboa, tanto as antigas como as extravagantes em 1588, foi um patrono das artes, tendo fundado uma capela na Sé de Lisboa (onde viria a ser sepultado), assim como a Confraria de S. Luís em 1609. Ao mesmo tempo que dirigia a sua diocese lisboeta foi um dos governadores de Portugal entre 1593 e 1600 e mais tarde vice-rei de Portugal (1615-1617).

 In 8° of 19.2x13 cm. With [iii], 402 folios. Binding: late 20th century full calf, with red label,  raised bands, and exquisite gilt tools on spine, and with the edition date engraved at the spine’s foot. The front board shows some damp stains. Marbled endpapers.

Title page printed in red and black with the coat of arms of the Archbishop of Lisbon at the centre. Folio 2 is also printed in red and black on both sides. The chapter titles are framed by pilcrows and hand shaped vignettes, the initials are decorated with vegetal motifs, and there is an ornament at the end of the Proemio on folio 8 front and a final fleuron on folio 324 front.

The preliminary pages contain the Privilege of 2 November 1589, the Provision of Miguel de Castro, Archbishop of Lisbon, of 5 October 1589, the approval of Frei Bartolomeu Ferreira, the famous censor of the Inquisition who approved the first edition of the Lusíadas, and the licences of 25 September 1589 and 25 April 1590. The back of the last page is blank.

Copy with small and faint stains near the inner hinge of the first folios and in the margins of the last folios from folio 360 onwards. Several pages have a cross-shaped marker handwritten in contemporary ink along the margins. With contemporary handwritten signatures on the front page of sheet 402 and with text continuing on to the blank back of the sheet, referring to which Lisbon church this copy belonged, as determined by the Provision of the Archbishop of Lisbon. The inscription is partially unreadable as it was covered by a reinforcement of the leaf.

A very rare first edition since, besides the fact that there are few copies in libraries and they are rarely for sale, some of the copies had serious defects, like the one from the Azevedo and Samodães Catalogue with two missing pages and the one Pinto Matos saw with a missing title page. A new edition was published in 1783, then another in 1817, and yet another one in 1849 with a new translation by Father Domingos Lopes da Costa e Cruz.

The translator of the Latin edition published in 1566 (CATECHISMVS, Ex Decreto Concilii Tridentini, Ad Parochos, Pii Quinti Pont. Max. Ivssv editvs. Romae, In aedibus Populi Romani, apud Paulum Manutium, MDLXVI) was Cristovão de Matos, Provisor of the Archbishopric of Lisbon, whose name does not appear on the title page or elsewhere in the work, but who is mentioned in the approbation of Friar Bartolomeu Ferreira.The translation is considered a model of classic Portuguese at the level of the prose of his great contemporary writers. The catechism contains a Proémio, and four parts: The Articles of Faith, The Sacraments, The Commandments and the Prayer.

A work of extraordinary value and great importance for the study of the reception in Portugal of the decisions taken at the Council of Trent, namely in in what concerned the condemnation of the Protestant churches" ideas on the sacraments and on the Pope"s power. Its continued use (which is clear from the small number of copies that have survived to the present day) had a great influence in Portugal on the forms of living out the Catholic religion, marked by the allegiance to the Pope, as head of a centralised Church, and which at the same time presupposed the strengthening of the powers and image of the Bishops.

The translation into Portuguese was made to fulfil the determinations of the Council of Trent, to spread the doctrine contained in this work and for the use of the ecclesiastics of the Archbishopric of Lisbon. The Archbishop Miguel de Castro determines in his provision that all the churches of his diocese should have a copy of this work and stipulates the punishments for the ecclesiastics who do not comply with that decision. He also determined that the clergy should explain the contents of the catechism to the congregation. In a society where only six per cent of the people could read, the oral transmission of knowledge was decisive for the wide dissemination of written works, for the formation and education of the inhabitants of each country, and to ensure the preservation of the religious integrity of the Kingdom, at the time of the division of the Church between Catholics and Protestants.

Ref.: Iberian Books 66465, IB5486; USTC, nº 345023; D. Manuel III, 214; Anselmo 11; Azevedo e Samodães, 2020; Fernandes Tomás, 3248; Monteverde, 3425; Palha, 81; Sousa Viterbo, Frei Bartolomeu Ferreira o Primeiro Censor dos Lusíadas, pág. 81, Pinto de Matos pág. 383; Inocêncio II, 86.


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Referência: 1711JC037
Local: M-13-C-24


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