RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
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OSÓRIO. (Jerónimo) DE REBVS EMMANVELIS

REGIS LVSITANIAE INVICTISSIMI VIRTVTE ET AVSPICIO GESTIS LIBRI DUODECIM. Auctore Hieronymo Osorio EPISCOPO SYLVENSI. [Vinheta com brasão de armas do Cardeal Infante D. Henrique, com a legenda «HENRICVS CARDINALIS, INFANS PORTVGALIAE, LEGATVS A LATERE»]. OLYSIPPONE. Apud Antonium Gondisaluu[m] Typographum. Anno Domini M. D. Lxxi. [1571]. CVM PRIVILEGIO REGIO.

In fólio (aliás gr. 8º, de 29x19,5 cm) com 480 [I] págs.

Encadernação recente inteira de pele, com ferros rolados a ouro na lombada e em esquadria nas pastas.

Primeira edição, extremamente rara.

Exemplar com falta de 1 fólio volante final (Hh) com as autorizações (datadas de 1572 segundo o exemplar BNP RES 730 A) e as erratas tipográficas. Apresenta leves picos de traça marginais perfeitamente restauráveis, leves vestígios de humidade desvanecidos pelo tempo, pequenas manchas coevas de tinta ferrogálica, causadas pelo uso do livro por copistas, pequenas falhas marginais de papel, restauradas na folha de rosto e nos primeiros fólios, sem perda de texto.

Apresenta títulos de posse da época sobre a folha de rosto e no cólofon, adição de dois fólios manuscritos no século XVIII com um louvor ao autor - o Bispo Jerónimo Osório - onde se menciona o uso deste exemplar no Sameiro, por Frei Manuel Osório Cabral, encontrando-se estes fólios subscritos por Leonardo Pereira. Título de posse da época sobre a folha de rosto: “De Frei M[anu]el Os[o]r[io] Cabral”.

Obra fundamental para o conhecimento do período que precede os primeiros Descobrimentos Portugueses - geo-estrategicamente muito importantes, mas que do ponto de vista económico foram relativamente pouco frutuosos para a coroa -, durante o qual Portugal tomou o domínio absoluto dos mares por via comercial e militar, avassalando as nações do Oriente e do Extremo Oriente e erguendo um fabuloso império à escala mundial, tendo como base uma ágil capacidade negocial de alianças políticas, conjugada com uma eficaz e cirúrgica utilização do seu poder militar, tanto naval, como de fortificação de praças, sempre apoiado por uma técnica avançada na utilização da artilharia.

A falta do fólio volante final (Hh) neste exemplar, contendo o privilégio régio de D. Sebastião datado de Setembro 1572, seguido pelas erratas, levanta uma pertinente questão bibliográfica.

Pensamos que, muito possivelmente, o fólio em questão nunca esteve presente neste exemplar e, provavelmente, não fez parte originalmente do corpo da impressão de 1571.

Este fólio volante terá sido introduzido posteriormente pelo impressor. A corroborar esta nossa ideia existem vários indícios tipográficos:

A)  O facto de o impressor ter introduzido este fólio volante no fim da obra (último fólio), sendo que normalmente as licenças vêm depois da folha de rosto. 

B) A data do privilégio régio neste fólio ser posterior (Setembro de 1572) à data da folha de rosto da obra datada de 1571.

C) As erratas ao texto da obra, presentes no verso do fólio volante Hh, apenas possíveis de executar com a totalidade dos cadernos já impressos, confirmam-nos que as licenças foram emitidas e impressas depois da execução tipográfica. 

 D) Os dois últimos cadernos, respectivamente  Ff e Gg, contêm oito fólios de impressão numerados e com registo sequencial. O fólio volante final não numerado, em falta,  apresenta o registo Hh e não faz parte de qualquer caderno.

Tudo isto sugere que este fólio volante terá sido introduzido um ano após a conclusão da impressão do corpo da obra.

No verso da folha de rosto consta uma licença inquisitorial de Fr. Bartolomeu Ferreira (o famoso censor dos Lusíadas), dada por ordem do Cardeal Príncipe D. Henrique em 8 de Setembro do ano de 1571.

O autor, tutor e mestre do rei D. Sebastião, dedicou a obra ao Cardeal D. Henrique, Inquisidor-mor do reino, ex-Regente e Conselheiro Régio, que encomendou a crónica de D. Manuel I ao Bispo de Silves e entregou a sua censura a Bartolomeu Ferreira, tendo este aprovado a impressão.

Em nosso entender, é possível que tenha sido necessário (ou mesmo conveniente) a estas autoridades envolver, de certa forma, o rei D. Sebastião em tão importante empresa. Assim faria todo o sentido incluir posteriormente mais um fólio volante que resolvesse esta pequena questão.

Obra primorosamente impressa em caracteres rotundos, adornada com belas capitulares xilográficas. Saída dos prelos de António Gonçalves, (o impressor da famosa primeira edição de 1572 da obra prima da literatura portuguesa, escrita por Luís de Camões, Os Lusíadas). Foi dedicada ao Infante Dom Henrique, filho do Rei Dom Manuel I, e escrita por Jerónimo Osório. Este foi encarregado pelo Cardeal D. Henrique de ser o professor e tutor do futuro rei D. Sebastião de Portugal. Depois, durante a maioridade de D. Sebastião, foi conselheiro deste rei na governação do reino. Jerónimo Osório esteve em Sevilha, Bolonha e Roma, onde foi recebido pelo Papa Gregório I.

Jerónimo Osório (1506-1580) foi um homem muito activo na sua juventude, um grande intelectual e latinista, um excelente teólogo e um extraordinário defensor da fé cristã, no entanto subordinando todos os seus interesses aos da Pátria e aos da Verdade. O Bispo Osório tinha uma relação muito próxima com o Cardeal D. Henrique: um como Regente e o outro como Tutor de D. Sebastião. Ambos foram alvo de duras críticas no século XIX por serem co-responsáveis pela presença da Inquisição em Portugal.

O Cardeal D. Henrique ou Cardeal-Rei Henrique I (1512 -1580) reinou de 1578 até à sua morte em 1580. Henrique era o quinto filho do rei Manuel I (1469-1521) e de sua segunda esposa Maria de Aragão e Castela. O Cardeal-Rei tinha sido anteriormente regente do rei Sebastião na sua menoridade, entre 1562 e 1568, e em dado momento da sua vida foi um dos cardeais favoritos na sucessão papal.

Quanto a Jerónimo Osório é considerado o autor do tratado mais completo de pedagogia do humanismo português - De Institutione et Disciplina - sobre a educação e instrução do rei, dedicado a D. Sebastião, e publicado no ano de 1572 (quase em simultâneo com a obra Rebus Emmanuelis). Osório fez o retrato do rei ideal de acordo com as funções do rei homérico (sacerdote, orador, juiz e chefe militar), juntando a lição clássica com a experiência quinhentista, e servindo-se das lições de Hesíodo, Solón, Eurípedes e outros. Jerónimo Osório escreveu as suas obras unicamente em latim, excluindo algumas cartas e um texto com a tradução parcial da Ilíada. As suas cartas políticas, dirigidas à Rainha Isabel I de Inglaterra, exigindo a sua reconversão ao catolicismo, foram lidas por esta rainha e tiveram um impacto político na sua época. A sua biblioteca no Algarve foi saqueada por Sir William Drake que se apoderou pessoalmente dos seus livros, colocando neles o seu título de posse e a origem do saque de que se orgulhava.

O prefácio da edição portuguesa da Editora Civilização, em 1944 é da autoria de Joaquim Ferreira, do qual transcrevemos alguns excertos elucidativos sobre esta obra:

«Em 1566-1567 saíra do prelo a Crónica de felicíssimo rei D. Manuel de Damião de Góis. Foi o texto do célebre humanista que forneceu o padrão ao trabalho do Bispo de Silves. Pouco diferem nas soluções éticas os dois escritores, e só poucas variantes se notam nos informes das duas obras. A simples leitura de uma e de outra, desacompanhada que seja de precauções apriorísticas, convence imediatamente do fiel paralelismo das suas minúcias. As divergências, por diminutas, mal se distinguem. Góis inclui talvez pormenores que D. Jerónimo Osório calou - no rol dos personagens ou na enumeração dos actos pessoais deste ou daquele figurante. Mas não há antagonismos de conteúdo. E nem se contradizem ou se separam os juízos críticos dos dois cronistas: sucessos iguais com palavras idênticas. A faina literária do Bispo de Silves foi só expurgar as miuçalhas da Crónica de el-rei D. Manuel e revesti-la de latim elegantíssimo, sem mescla, numa prosa que lhe dá foros de um mestre da Renascença. [...Dom Jerónimo Osório... ] não criou ex-nihilo: limitou-se a repetir as narrativas de Góis [...] Não teve de fatigar-se na rebusca de códices testemunhais, na indagação cautelosa dos apógrafos, na reconstituição dos palimpsestos [...] achou a obra já perfeita na Crónica do Felicíssimo Rei Dom Manuel e vazou-a na língua universal dos humanistas - nesse latim ciceriano que poucos escreveram como ele, e que iria transportar aos confins do mundo sábio as portentosas vitórias da Lusitânia. […] Um mundo de factos em poucas palavras. É uma linguagem densa e vivaz, rica de substância, que tão bem nos pinta a nossa epopeia marítima como nos preludia a trágica dissolução do nosso império do Oriente. De rebus Emmanuelis regis adquiriu notoriedade no século XVI e nos imediatos. Montaigne gabou-lhe os esplendidos atributos de história latina; e Lope de Veja prestou-lhe homenagens ainda mais veementes que as do imortal pedagogo dos Essais. Tudo isto revela a extensão do renome granjeado pelo Bispo de Silves na literatura coeva. [… ] Todavia os portugueses quase tinham esquecido D. Jerónimo Osório. Ele compusera as suas obras em latim, e o conhecimento deste idioma decaiu até se tornar uma prerrogativa mental de raros eruditos. E sucedeu que De Rebus Emmanuelis regis conseguiu traduções para inglês e francês muito antes de ser posta na língua portuguesa.».

Com esta informação podemos afirmar que a obra de Damião de Góis foi a única baseada em investigação fundamental e já na sua época era de importância capital para a compreensão do domínio comercial marítimo exercido por Portugal. A versão latina de Jerónimo Osório sobre o reinado de Dom Manuel deu uma visibilidade e teve uma importância posterior na luta pelo domínio político e militar dos territórios extra-europeus.

Referências: Anselmo 694; D. Manuel 133; Palau 206489; Faria Damião de Góis 151, Simões 560.

Inocêncio III, 272: «D. JERONYMO OSORIO, natural de Lisboa, filho primogénito de João Osório da Fonseca, Ouvidor Geral da India, nos primeiros anos depois da conquista. Frequentou com grande aproveitamento as Universidades de Salamanca, Paris e Bolonha, e mereceu por suas obras latinas ser honrosamente cognominado o Cícero português. Foi Secretario particular do infante D. Luis, e Mestre de D. António, prior do Crato; Prior das freguesias de Santa Maria de Tavares e S. Salvador de Travanca, no bispado de Viseu; Arcediago do bago da catedral de Évora, de que tomou posse a 30 de Março de 1560, e nomeado Bispo de Silves em 1564, cuja catedral se transferiu no seu tempo para Faro em 1577. Morreu em Tavira a 20 de Agosto de 1580, com 74 anos de idade […] Acerca da sua famosa obra De rebus Emmanuelis, traduzida por Filinto Elysio, vej. também no Diccionario, dito vol., o n.° F, 1354. As únicas composições portuguesas que dele possuímos impressas, e que no sentir dos críticos são manifesto argumento do sumo grau de perfeição com que soube manejar a própria língua […] são apenas cinco cartas políticas, de que Barbosa faz menção no tomo II da Bibl […] No catalogo dos bispos do Algarve, que vem no fim das Instituições synodaes de D. Francisco Barreto [...] diz a pag. 15 que: «D. Hieronymo Osorio foi natural de um lugar do bispado de Leiria do reino de Portugal» […] A obra De Rebus Emmanuelis corre traduzida em inglês com o titulo seguinte: History of the Portuguese, during the Reign of Emmanuel. Londres, 1752».

 In folio 8º gr. (29x19.5 cm) with 480 [I] pp.

Binding: Recent full calf gilt tooled on spine, gilt framed on boards. 

Extremely rare first edition. 

Copy missing one loose end folio (Hh) with the authorisations (dated 1572, according to the copy of the BNP ref. RES 730 A) and the typographic errata. It has small wormholes that can be restored; vanished moist stains; contemporary iron gal link stains due to handling; small marginal restored tares on title page and on the first folios with no text loss.

It has contemporary ownership titles on the title page (“De Frei M[anu]el Os[o]r[io] Cabral”) and colophon.  There were added two handwritten folios from the 18th century with a praise to the author - Bishop Jerónimo Osório -; this praise, authored by Leonardo Pereira, mentions the use of this copy by Fr. Manuel Osório Cabral at Sameiro.

Essential work for the knowledge of the period preceding the first Portuguese Discoveries, (which were geo-strategically very important, but from an economic point of view were quite unfruitful for the crown), during which Portugal took absolute control of the seas, both commercially and military, overwhelming the nations of the East and the Far East and creating a fabulous world scale emporium, based on a strong and swift ability for negotiating political alliances, combined with an effective and surgical use of its military power, through navy and fortified strongholds, always backed by an advanced technique in the use of artillery.

Work exquisitely printed in round characters, adorned with beautiful xylographic capital letters. Printed by António Gonçalves, (printer of the famous 1572 first edition of the masterpiece of Portuguese literature, Os Lusiadas, written by Luís de Camões). It was dedicated to Dom Henrique (considered the mastermind of the Portuguese discoveries), son of King Dom Manuel I, and written by Jerónimo Osório, commissioned by Cardinal D. Henrique to be the teacher and tutor of the future king D. Sebastião of Portugal. Later, during the majority of D. Sebastião, he was king adviser in the governance of the kingdom. 

 

Referência: 1608JC001
Local: M-11-B-4


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