RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
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GUALTIERE, Guido. RELATIONI DELLA VENVTA DEGLI AMBASCIATORI GIAPONESI

a Roma fino alla partita di Lisbona. Con le accogliense fatte loro da tutti i Principi Christiani, per doue sono passati. Raccolte da Guido Gualtieri. [Brasão do Pontífice Papa Gregório XIII] IN ROMA. Per Francesco Zannetti. M. D. LXXXVI. [1586] Con licentia de i Superiori.

In 8º (de 17x11,5 cm). Com 12, 191 págs.

Encadernação da época em pergaminho, ferros a ouro e a seco sobre as pastas e título manuscrito na lombada.

Exemplar com cota de arrumação manuscrita e ex-libris no interior da pasta anterior de George Earl of Macartney, Knight of the Order of the White Eagle and of the Bath, e da Bibliotheca Phillippica de Sir Thomas Phillipps Bt. no interior da pasta posterior.

Ilustrado com capitulares xilográficas decorativas.

Obra impressa sobre papel de linho.

Contém a notícia pormenorizada da primeira visita dos embaixadores japoneses, nomeadamente Mancio Ito, Julião Nakaura, Miguel Chijiwa, Martinho Hara, and Tensho Shisetsu Keno, conduzidos a Lisboa pela Companhia de Jesus, e nos capítulos finais as cartas enviadas pelos mesmos para o Japão dirigidas aos príncipes e shoguns locais.

Os jovens embaixadores japoneses foram recebidos em Portugal com grandes honras pela Casa Real portuguesa no Palácio de Vila Viçosa, a quando da sua chegada à Europa e posteriormente quando partiram para o Japão. Quatro deles eram aristocratas em representação dos príncipes de Kyushu e foram alunos do seminário Arima. Teriam no máximo treze ou catorze anos à data da partida. Em teoria, a descendência nobre era um pré-requisito para a admissão no seminário - os regulamentos elaborados por Valignano [autor do De Missione Legatorum Iaponensium ad Romanam Curiam] restringia a entrada a gente nobre e honrada, a quem tinha acesso às cortes dos Senhores (Schütte 1958, 484), por isso supõe-se que os quatro eram membros da elite japonesa [ver estudo de J. S. A. Elisonas, in “Japanese Journal of Religious Studies”, Nanzan Institute for Religion and Culture, 2007 (34/1: 27–66) pág. 34].

No século XVI nenhuma nação europeia mantinha ligações regulares com o Japão excepto Portugal. A bibliografia portuguesa é pobre a respeito da visita dos embaixadores japoneses, sendo as fontes encontradas escritas principalmente em italiano e espanhol.

Os portugueses descobriram o Japão em 1542/1543. Em 1549 o missionário São Francisco Xavier chegou ao Japão. Por volta de 1580 muitos senhores feudais e milhares de japoneses tinham-se convertido ao cristianismo.

Quando o Padre Alexandre Valignano se encontra no Japão, na sua qualidade de Visitador, propõe aos dáimios cristãos das ilhas Kyushu (no sul do Japão) o envio de uma embaixada ao rei de Portugal e ao Papa. Foram escolhidos Mancio Ito, Miguel Chijiwa, Martinho Hara e Julião Nakamura: todos parentes das famílias senhoriais de Kyushu. Na comitiva encontrava-se o japonês Jorge que foi o primeiro nipónico a ser ordenado padre na Europa. Os japoneses não tinham mais de 15 anos e eram acompanhados por D. Diogo de Mesquita (1533-1614) na qualidade de preceptor português no seminário do Japão. A Embaixada partiu do Japão em Fevereiro de 1582 e levava cartas dos Dáimios endereçadas ao Cardeal Dom Henrique - entretanto falecido – e que ainda hoje se conservam em Roma. A viagem marítima durou 2 anos e meio e chegaram a Lisboa em Agosto de 1584.

As entrevistas com o rei Filipe de Espanha e com os Papas Gregório XII e Sisto V encontram-se descritas pelo Padre Fróes. O Rei D. Filipe disponibilizou aos embaixadores um dos seus coches para irem ver o Escorial com ordem para se lhes mostrar todas as riquezas que eram guardadas naquele belo templo tendo a visita durado três dias. Os embaixadores regressaram à sua pátria saindo de Lisboa, em Abril de 1586, e chegaram ao Japão em Julho de 1590, isto é oito anos e cinco meses depois da sua saída.

A passagem dos embaixadores japoneses por Portugal está muito bem descrita, especialmente a sua estadia em várias cidades e vilas do Alentejo, dado este ter sido o local de trânsito para Espanha e Itália e também porque era o território e sede da Casa de Bragança, sendo D. Teotónio de Bragança o arcebispo de Évora. Em Évora foram levados à Biblioteca do Arcebispo onde viram os Atlas de Vaz Dourado, feitos em Goa em 1571, com a primeira representação do Japão. Também em Évora visitaram o Coro da Sé e as classes da Universidade.

Antes de partirem de Évora os embaixadores convidaram o Arcebispo para que os visse vestidos com os quimonos e presenciasse as cerimónias e cumprimentos usados no Japão. Mostraram ao arcebispo livros escritos em caracteres japoneses e uma carta escrita pelo dáimio Oba Nobunaga (1534-1584) que foi o iniciador da reunificação do Japão. De acordo com o Padre Fróes, os embaixadores e seus acompanhantes japoneses sabiam falar português, latim e espanhol. Em Vila Viçosa, sede da Casa de Bragança, foram recebidos no paço ducal pela Duquesa Dona Catarina e pelo seu filho o Duque Dom Teodósio que tinha a mesma idade dos embaixadores. A habilidade dos embaixadores japoneses para tocar e cantar causou admiração e foi-lhes pedido que vestissem novamente os seus quimonos, sugerindo-se que a corte poderia no futuro adoptar o uso do traje japonês. Os embaixadores saíram de Vila Viçosa, passaram por Elvas, e dirigiram-se a Madrid e a Roma onde foram recebidos, pelo Rei e pelo Papa, respectivamente.

Em Outubro de 1585, no regresso de Itália e Espanha os embaixadores foram novamente recebidos em Vila Viçosa pelo Duque de Bragança. Em Évora foram ainda mais festejados do que da primeira vez. O Governador e 200 cavaleiros saíram a recebê-los à saída de Vila Viçosa, foram aclamados logo à entrada da cidade de Évora e recebidos na Universidade pelo antigo Governador da Índia, que anteriormente os havia recebido em Goa na viagem para a Europa.

De acordo com Cadafaz de Matos, no regresso ao Japão Alexandro Valignano levou consigo um conjunto de caracteres tipográficos europeus, que já tinham sido utilizados em Goa e Macau entre 1588 e 1590. A Biblioteca Pública de Évora possui um exemplar raríssimo da obra De Missione Lagatorum Iaponensi, que foi escrita a respeito desta embaixada japonesa, e impressa em Macau em 1590, por esta mesma tipografia europeia.

A importância do Japão era crucial nas trocas comerciais do extremo Oriente, particularmente o entreposto de Nagasaki, onde a comunidade portuguesa e de cristãos japoneses tinha aumentado nos últimos anos do séc. XVI. A política de alianças com os japoneses era fundamental. O Arcebispo D. Teotónio, em Évora, quis radicar a religião e estabelecer um plano de evangelização de uma forma concreta e auto-suficiente, enviando dinheiro para a fundação de um colégio ou seminário, e comprometendo-se a enviar à sua custa irmãos religiosos e agricultores que introduzissem o cultivo da vinha. Coube ao Padre Diogo de Mesquita essa missão, tendo introduzido no Japão muitas plantas de Portugal e de outras regiões do mundo. [O texto aqui apresentado é um resumo do folheto “Notícias da visita feita a algumas terras do Alentejo pela Primeira Embaixada Japonesa à Europa (1584-1585)” por Carlos Francisco de Moura, in Separata de «A Cidade de Évora», nº 51-52, 1968-1969].

 Report of the first visit of the Japanese ambassadors to Rome (Italy) after they left Lisbon (Portugal). Notice of the acceptance and welcoming - wherever they went - made to them by the Princes of the Christianity. Relation collected by Guido Gualtieri.

In 8º (size 16x11 cm) with 12, 192 pp.

Binding: Contemporary full vellum, blind and golden tooled frames on boards, manuscript title on spine.

Illustrated with decorative capital letters.

Copy with manuscript shelf location. Presenting an ex-libris from George Earl of Macartney, Knight of the Order of the White Eagle and of the Bath, on the front inner board, and another of the Bibliotheca Phillippica formed by Sir Thomas Phillipps Bt. on the back inner board.

Book printed in linen paper.

Contains detailed news of the first visit of the Japanese ambassadors to Europe, namely: Mancio Ito, Julian Nakaura, Miguel Chijiwa, Martinho Hara, and Tensho Shisetsu Keno, starting in Lisbon and conducted to Rome by the Company of Jesus. The final chapters contain the letters sent to Japan and addressed to local Japanese princes and local shoguns.

The young Japanese ambassadors were received with great honours in the Palace of Vila Viçosa in Portugal, by the Portuguese Royal House, when they arrived and when they departed. Four of them were considered as being part of the Japanese aristocracy. They were representing the Kyushu lords, being four of them pupils at the Arima seminary. The “Ambassador Boys” were around thirteen or at most fourteen years old when they left. In theory, being of noble descent was a prerequisite to be admitted into the seminaries, according to the regulations drawn up by Valignano [author of De Missione Legatorum Iaponensium ad Romanam Curiam] restricted the admission only to “noble and honoured folks, who have access to the lord’s chamber” (Schütte 1958, 484), so it may be assumed that by either definition, all four were members of the elite". See study of J. S. A. Elisonas, Journey to the West, in "Japanese Journal of Religious Studies", Nanzan Institute for Religion and Culture, 2007 (34/1: 27–66) pag. 34.

In the 16th century no European nation maintained regular links with Japan except Portugal. The Portuguese bibliography is poor concerning the visit of the Japanese ambassadors, the sources found being written mainly in Italian and Spanish.

The Portuguese discovered Japan in 1542/1543. In 1549 the missionary Saint Francis Xavier arrived in Japan. By 1580 many feudal lords and thousands of Japanese had converted to Christianity.

When Fr. Alexandre Valignano was in Japan in his capacity as Visitor, he proposed to the Christian daimyo of the Kyushu islands (in southern Japan) that an embassy be sent to the king of Portugal and the Pope. Mancio Ito, Miguel Chijiwa, Martinho Hara and Julião Nakamura were chosen. In the entourage was the Japanese Jorge, who was the first Japanese to be ordained a priest in Europe. The Japanese were no older than 15 and were accompanied by D. Diogo de Mesquita (1533-1614) as the Portuguese preceptor at the seminary in Japan. The Embassy left Japan in February 1582 and carried letters from the Dáimios addressed to Cardinal Dom Henrique - deceased in the meantime - which are still kept in Rome today. The sea journey lasted 2 and a half years and they arrived in Lisbon in August 1584.

Fróes describes the interviews with King Philip of Spain and Popes Gregory XII and Sixtus V. King Philip made one of his carriages available to the ambassadors to visit the Escorial, ordering to show them all the richness that was kept in that beautiful temple. The visit lasted three days. The ambassadors returned to their homeland, leaving Lisbon in April 1586, and arrived in Japan in July 1590, eight years and five months after their departure.

The passage of the Japanese ambassadors through Portugal is very well described, especially their stay in various cities and towns in Alentejo, as this was the place of transit to Spain and Italy and also because it was the territory and seat of the House of Bragança, with Teotónio de Bragança being the archbishop of Évora. In Évora they were taken to the Archbishop"s Library where they saw the Atlas of Vaz Dourado, made in Goa in 1571, with the first representation of Japan. Also in Évora they visited the Choir of the Cathedral and the classes of the University.

Before leaving Evora, the ambassadors invited the Archbishop to see them dressed in their kimonos and to witness the ceremonies and greetings used in Japan. They showed the Archbishop books written in Japanese characters and a letter written by the daimyo Oba Nobunaga (1534-1584) who was the initiator of the reunification of Japan. According to Fróes, the ambassadors and their Japanese companions could speak Portuguese, Latin and Spanish. In Vila Viçosa, seat of the House of Bragança, they were received in the ducal palace by the Duchess Dona Catarina and by her son the Duke Dom Teodósio, who was the same age as the ambassadors. The ability of the Japanese ambassadors to play and sing caused admiration and they were asked to wear their kimonos again, and it was suggested that the court might in future adopt the Japanese costume. The ambassadors left Vila Viçosa, passed through Elvas, and made their way to Madrid and Rome where they were received by the King and the Pope respectively.

In October 1585, on their return from Italy and Spain the ambassadors were again received in Vila Viçosa by the Duke of Bragança. In Évora they were even more celebrated than the first time. the Governor and 200 knights went out to receive them on their way out of Vila Viçosa, were acclaimed right at the entrance to the city of Évora and received at the University by the former Governor of India, who had previously received them in Goa on their journey to Europe.

According to Cadafaz de Matos, on his return to Japan Alexandro Valignano took with him a set of European typefaces, which had already been used in Goa and Macao between 1588 and 1590. The Évora Public Library has a very rare copy of the work De Missione Lagatorum Iaponensi, which was written about this Japanese embassy, and printed in Macau in 1590 by this same European printer.

Japan"s importance was crucial in Far Eastern trade, particularly the entrepôt of Nagasaki, where the Portuguese and Japanese Christian community had increased in the last years of the 16th century. The policy of alliances with the Japanese was fundamental. Archbishop Teotónio, in Evora, wanted to root religion and establish a plan of evangelisation in a concrete and self-sufficient way, sending money for the foundation of a college or seminary, and committing himself to sending, at his expense, religious brothers and farmers who would introduce the cultivation of the vine. This mission fell to Father Diogo de Mesquita, who introduced many plants from Portugal and other regions of the world to Japan. [The text presented here is a summary of the leaflet 'Notícias da visita feita a alguns terras do Alentejo pela Primeira Embaixada Japonesa à Europa (1584-1585)' by Carlos Francisco de Moura, in Separata de 'A Cidade de Évora', nº 51-52, 1968-1969].

Referências/ References:

BM (STC IT) 317; NUC NG 561414; CCBE s. XVI G 1728; Duarte de Sousa 1, 35; EDIT 16.


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Referência: 1507JC031
Local: M-10-D-9


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