RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

     
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CRASSET, Jean. HISTORIA DO JAPAÕ,

EM QUE SE DÁ NOTICIA DA PRIMEIRA entrada da Fé naquelle Imperio, dos custumes daquella Naçaõ, gentes, suas terras, e couzas muito curiozas, e raras, para os Euruditos estimáveis, e para todos gratas. ESCREVEO-A EM FRANCEZ P. JOAÕ CRASSET Da Companhia de JESUS. E correndo já traduzida em Italiano APPPARECE AGORA DEDICADA A S. FRANCISCO XAVIER, Primeiro Apostolo daquelle Gentilismo; E VERTIDA EM PORTUGUEZ POR D. MARIA ANTONIA DE S. BOAVENTURA E MENEZES. LISBOA. - [TOMO PRIMEIRO] Na Officina de MANOEL DA SYLVA. M. DCC. XLIX. [1749] - [TOMO SEGUNDO] Na Officina de MANOEL DA SYLVA. M. DCC. LI. [1751] - [TOMO TERCEIRO] Na Officina de MANOEL SOARES. M. D.CC. LV. [1755].

Obra em 3 volumes. In 4.º (de 20x14 cm) com [xl], 642 - [xii], 643 e [xii], 560 págs.

Encadernações da época, inteiras de pele, com rótulos vermelhos, nervos e ferros a ouro nas lombadas.

Obra ilustrada com um mapa desdobrável do Japão de (28x43 cm), incluído exclusivamente nesta edição portuguesa, considerado o mais antigo mapa do Japão fazendo parte de um livro (e desenhado com uma projecção geográfica idêntica à do mapa de Ortelius feito por Teixeira).

Ilustrado ainda com cinco magníficas gravuras desdobráveis e uma gravura no texto, tudo gravado por Miguel Le Bouteux, arquitecto do Rei de Portugal.

Excelente impressão estampada sobre magnífico papel de linho muito alvo, com as folhas de rosto impressas a duas cores (vermelho e preto), tendo sido utilizados caracteres rotundos muito esmaltados.

Esta impressão de Lisboa, composta por 3 volumes impressos em momentos e por impressores diferentes, apresenta uma homogeneidade gráfica de grande qualidade.

Exemplar em excelente estado de conservação, com o ex-líbris de Manoel Paes d'Aragão Trigozo Pereira Magalhães e o título de posse manuscrito pelo mesmo em todos os volumes.

Edições desta obra: Paris, 1684; Lausanne, 1715; Venezia, 1722; Augsburg 1738; e Lisboa, 1749-1755.

A presente edição - a primeira em língua portuguesa - foi traduzida da edição italiana, tal como se encontra claramente registado nas autorizações da época, nomeadamente na autorização do Ordinário dada por Frei Joseph Pereira de Santa Anna, contida no terceiro volume, a qual transcrevemos: «que da língua italiana traduziu na portuguesa a excelentissima senhora D. Maria Antónia Menezes».

Obra de uma importância capital para a compreensão de como o Japão se abriu, e mais tarde se fechou ao Ocidente, apresentando pormenorizadamente as justificações dos acontecimentos. Para o Japão esta obra tem um particular interesse como documento histórico contemporâneo da última parte do período conhecido pelos nipónicos como Sengoku (戦国時代) ou Guerra Civil (1467-1603).

Cada um dos três volumes é antecedido de três diferentes autorizações dignas de serem lidas como belas notas editoriais e escritas, a pedido expresso do Rei de Portugal, pelos mais eruditos críticos literários do seu tempo. No primeiro volume segue-se um privilégio real dado à autora da tradução, que todos reconhecem como uma grande erudita e intelectual da época. A apologia da autora da tradução também é feita na sua excelente condição de mulher (comparada a Vénus) e fidalga de primeira hierarquia.

As licenças referem aspectos muito relevantes para o interesse e importância desta obra, nomeadamente o sucesso das anteriores edições francesa e italiana e o facto de reproduzir os diálogos em discurso directo e indirecto (discretos e elegantes, sic) emitidos por São Francisco Xavier (ver tomo I, pág. 113). Outro aspecto é o facto desta obra apresentar ao leitor um Prólogo, contendo um debate sobre as questões e os antecedentes historiográficos - e enquadrando este texto na evolução da ciência histórica.

Crasset reflecte sobre os problemas metodológicos por existir excesso de informação e estabelece a sua própria prioridade de abordagem historiográfica por assuntos e só depois pela cronologia. Outro aspecto também importante é o facto de se tratar da história oficial do Japão neste período, adoptada pela Companhia de Jesus, para a qual contribuíram as cartas e as correspondências (ditas das Monções) escritas pelos missionários explicitamente referidos: o Padre Solier, o Padre Chaslevoix, o Padre Luís Pinheiro, o Padre Luís de Gusmão e muitos outros. A obra é correctamente antecedida por um capítulo - Notícia do Japão, no qual se exprimem os usos e costumes daqueles reinos - que enquadra e prende o leitor (censor dixit) até à página 94 com um cariz que hoje podemos afirmar ser de natureza histórica, sociológica e antropológica.

O Padre Jean Crasset, professor de humanidades e filosofia, foi um pregador de sucesso que entrou na Companhia de Jesus em 1638. Também foi director, durante vinte e três anos, de uma famosa associação literária ligada aos jesuítas, em Paris. Crasset é o autor de muitas obras ascéticas, entre as quais o Methode d"oraison. A sua Dissertação sobre os oráculos dos Sibylles, foi uma obra pela qual foi muito criticado. Publicou a 'História da Igreja do Japão que alargou com mais detalhes em edições seguintes  O autor atribuiu a origem da perseguição de 1597 à imprudência dos frades franciscanos ao persistirem em tornar públicas as suas cerimónias religiosas.

Os portugueses descobriram o Japão, segundo Crasset, em 1534: uma data muito anterior àquela apontada [1543] e referida pela historiografia actual. No entanto a data não é tida como relevante para o autor da História da Igreja no Japão, porque os comerciantes portugueses navegavam há muito nas costas nipónicas, e o autor prefere esclarecer os detalhes e a forma como a religião chegou ao Japão «sem nos metermos nesta questão, por não parecer preciso« (vide tomo I, pág.96)

São Francisco Xavier chegou ao Japão em 15 de Agosto de 1549 como missionário [ver tomo I, pag. 129). A sua ida para o Japão foi solicitada e patrocinada por Angério, um rico mercador japonês, que se deslocou propositadamente a Malaca, em busca do Santo, levando-o para sua casa em Kagoshima, numa odisseia marítima descrita nesta obra (ver págs. 97-133 e 146). A obra menciona a vida e os milagres do santo no Japão, apesar de todas as edições mencionarem logo no inicio 'sobre a fé que se deve dar a esta História, e porque se não referem milagres'. Francisco Xavier era tido como "vindo do outro Mundo e tão poderoso como o seu Deus" (ver pág. 138) e conseguiu estabelecer contactos com os reinos de Sassuma, Ecandono, e foi Meaco para alcançar a autorização do Daire [Daimio] para pregar em todo o Japão, fundado congregações em Hirado [dito Firando], Yamaguchi [dito Amanguche] e Bungo. Seguidamente o livro II é inteiramente dedicado à presença do santo no Japão já depois dos seus milagres, apresentando as discussões teológicas entre Xavier e os monges budistas, e terminando com sua partida do Japão em Dezembro de 1551, deixando uma marca positiva nos reis e senhores feudais. Por volta de 1580 muitos senhores feudais e cerca de meio milhão japoneses tinham-se convertido ao cristianismo.

Fernão Mendes Pinto, autor da obra Peregrinação, tem a sua presença no Oriente e no Japão bem descrita no capitulo III desta obra (ver pág. 329) onde é mencionada a segunda visita dos portugueses, com pompa e circunstância, ao rei de Firando [Hirado]. O Padre Luis Fróis, o grande historiador do Japão, é mencionado no livro IV, pág. 469, no qual se menciona também a produção de obras literárias por parte dos portugueses (entre as quais o grande diccionário trilingue português-latim-japonês, com mais de 900 páginas, publicado em Amacusa, em 1595).

O periodo dos reinos combatentes - e dos senhores feudais ou shoguns - encontra-se bem descrito nesta obra. As razões das lutas entre os senhores feudais eram, segundo o autor, cinicamente justificadas com motivos religiosos. Ao longo dos primeiros capítulos, aqui ditos livros, os verdadeiros motivos eram a soberba e a altivez dos reis e senhores do Japão, que eram igualmente odiosas para todos os bonzos, nomeadamente a atitude do shogun Nobunanga (referido no tomo I, livro V, pág. 496 e novamente referido no tomo II, livro VI, pág. 7).

A unificação do Japão (descrita no tomo II, livro VIII) ocorre quando Faxita se torna governador do Império travando-se uma guerra que termina com a morte de D. Bartolomeu, rei de Omura, e de D. Francisco, rei de Bungo, em 1587. Estes reis - e principalmente D. Bartolomeu considerado o Constantino japonês - tinham destruído milhares de templos e bibliotecas da cultura japonesa (ver tomo II, pág. 312). Este período termina quando o Imperador intervém e promulga um édito contra os ocidentais (ver tomo II, livro IX) na sequência da ideia de que os espanhóis, agora dominando os portugueses no final do século XVI, também dominariam pelas armas o Império e o Imperador, tal como tinham feito no Perú e no México (ver tomo III, XI, pág. 41-42). Taicossama, informado pelos seus shoguns e reis Massita e Tossa «preocupado do receio de lhe suceder semelhante desgraça, protestou exterminar do seu Império todos os Cristãos, para assim estar seguro.»

A Embaixada do Japão enviada à Europa (tomo II, livro VII, pag. 159) partiu em Fevereiro de 1582 e trazia cartas dos Dáimios cristãos endereçadas ao Rei de de Portugal e ao Papa. Foram escolhidos Mancio Ito, Miguel Chijiwa, Martinho Hara e Julião Nakamura: todos familiares ou aparentados com as famílias senhoriais de Kyushu. A viagem marítima durou dois anos e meio e chegaram a Lisboa em Agosto de 1584. Após a viagem o Arcebispo D. Teotónio de Bragança enviou dinheiro para a fundação de um colégio ou seminário, e a Igreja nomeou um Bispo para o Japão. Os embaixadores regressaram à sua pátria saindo de Lisboa, em Abril de 1586, e chegaram ao Japão em Julho de 1590; isto é 8 anos e cinco meses depois da sua saída. Na obra existem capitulos intermédios, dedicados a outras narrativas ocorridas nessa década. A descrição do regresso do Padre Valignano ao Japão, com os 4 embaixadores, ocorre num momento de revolta (tomo II, pag. 401). Valignano avisa o Imperador da sua chegada e os embaixadores são recebidos na corte. A vida dos embaixadores no Japão volta a ser historiada no livro X, que termina com a fundação e extinsão da sede da provincia dos Jesuítas em Nagasaki.

As perseguições aos cristãos estão descritas ao longo da obra. Existiram vários períodos de perseguições. no entanto a perseguição final e os pormenores dos martírios são temas caros aos autores jesuítas e estão descritos no terceiro e último volume desta obra.

Inocêncio VI, 135. 'D. MARIA ANTONIA DE S. BOAVENTURA E MENEZES, filha de Roque Monteiro Paim, e casada com Rodrigo de Sousa, filho dos primeiros Condes de Redondo. - Foi natural de Lisboa; ignoro porém as datas do seu nascimento e obito. - E. 1418) Historia da igreja do Japão, em que se dá noticia da primeira entrada da fé n'aquelle imperio; dos costumes d'aquella nação, suas terras, e cousas muito curiosas e raras, para os eruditos estimaveis, e para todos gratas. Escripta em francez pelo P. João Crasset, da companhia de Jesus, e traduzida em portuguez. Tomo I. Lisboa, na Offic. de Manuel da Silva 1749. 4.º de XL-642 pag., com um mappa geographico e tres estampas. - Tomo II. Ibi, na mesma Offic. 1751. 4.º de XII-560 pag. - Tomo III. Ibi, na Offic. de Manuel Soares 1755. 4.º de XII-643 pag. É obra pouco procurada, e creio que o seu preço nunca excedeu de 1:200 a 1:800 réis. (Vej. P. Antonio Francisco Cardim).'

 Work illustrated  with one folded engraved map of Japan, five folding plates and one engraving in text. Contemporary full calf bindings. Only edition published with the Japan map. Crisp copy.

Streit VI, 1445; Cordier, bj. 401; Laures 623.

Reiss & Auvermann, Auction 40. 'First [and only] Portuguese edition, the original French having appeared in 1689. Famous description of Japan and of the arrival and progress of the Society of Jesus in this country.'

Barry Lawrence Ruderman Antique Maps Inc. 'Rare Portugese map of Japan, engraved in 1748 by Miguel Le Bouteux, which appeared in Historia Da Igreja Do Japão . . ., the Portugese translation of Jean Crasset"s Histoire de l’Eglise du Japon, originally printed in Paris in 1679, the only edition of Crasset"s work to include a map.

Le Bouteux"s map divides Japan into its 66 provinces and discusses the successes of the Jesuit Church in conducting over 30,000 baptisms. The map includes a key locating 36 Jesuit Churches in Japan. The sailing ship at the bottom references S. Francisco Xavier, Apostle of Japan (Francisco Xavier, Cosme de Torres (1510-1570), and his arrival at Cangoxima on August 15, 1549.

LeBouteux"s map derives from a highly important line of maps which began with Inacio Moreira"s now lost manuscript map of Japan, constructed in the 1590s. While the Moreira map is in Portuguese, it is derived from an indigenous Japanese style of mapmaking called 'gyoki' maps, using cartographic conventions which date to the 9th Century. The style is apparently named for the Buddhist priest who invented the map style, with surviving examples dating back to the 13th Century. Because of this connection, it is believed that Moreira"s map derives from maps originally provided to the Jesuits by by Buddhist clergy.

The information contained in the map derives from the rich Jesuit history of studying the geography and political borders of Japan and its 66 daimyo domains. In addition to a rich history of Jesuit relations from the last 16th and early 17th Centuries, a number of manuscript maps were constructed, reflecting the growing knowledge of the Jesuits, supplied by their network of informants.

Perhaps the most significant of the early Jesuit maps was the map of the Portuguese mapmaker Inacio Moreira, who lived in Japan from 1590 to 1598 and was able to compile significant information during his stay. Moreira was born in Lisbon in 1538 and lived for many years in Macao.

In 1590, he traveled to Nagasaki with Allesandro Valignano, who was returning from Europe with a Japanese diplomatic contingent who had visited Rome. Moreira traveled through Japan from Kyushu to Kyoto, adding significant local information provided by Japanese informants. He was also able to determine the length of the Japanese ri (distance measurement) and convert it to Spanish and Portuguese measurements, allowing him to create the first scientifically accurate map of Japan.

While Moreira"s original map is now lost, its description survived in Valignanos" written description which appeared in his 'Libro primero del principio y progresso de la religion Christiana en Jappon . . .' From this description, modern scholar Jason Hubbard was able to determine that a map engraved in Rome in 1617 by Christophorus Blancus (Rome, 1617) (also lost, but known in a later copy of the map), was in fact a direct copy of Moreira"s lost map.

While the Blancus map is now virtually lost, it was copied by several contemporary mapmakers, including the maps made by Jesuit map makers Bernardino Ginnaro and Antonio Cardim and by English map maker Robert Dudley, whose depictions of the map have provided the most widely disseminated and enduring evidence of this fascinating chapter of the cartographic history of Japan.

Crasset"s important history of the Jesuits in Japan appeared in a number of editions, but only the Portuguese edition included a map. Le Bouteux"s map is copied from the map included in Antonio Francisco Cardim"s Fasciculus e Iapponicis floribus (. . .), first published in Rome in 1646. Le Bouteux"s map is an enlargement of the original Cardim map, with the text translated from Latin to Portuguese.

Miguel le Bouteux (i.e. Jean Baptiste Michel le Bouteux, 1682-1764) came to Portugal under King João V and worked here from 1728 until his death. Very little is known about Le Bouteux other than the fact that he referred to himself as the Architect of his Majesty. Le Bouteux"s map is very rare on the market, with Hubbard identifying only 3 examples in private collections.

Condition Description: Minor discoloration and repairs to the right of the cartouche, with a few small abrasions along the fold.

References: Cordier Japonica 1912: 401, 402; Hubbard & Walter 1994: OAG 96; Laures 1957: 623; Pagès 1859: 351; Soares: I 136-138.'

Referência: 1309CS003
Local: Feira Madrid


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